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A importância da figura do adulto no desenvolvimento infantil

fev 05

O adulto é uma figura extremamente importante no desenvolvimento da criança. Seu papel, além de modelo, é favorecer interações de qualidade com as pessoas e com o universo que a rodeia. E isso representa, sempre, um grande desafio. Por vezes, algumas atitudes, sobre as quais nem paramos para pensar, podem ser uma chave importante no fortalecimento da relação com a criança e no apoio às tantas conquistas que ela precisa fazer.

Pensando nisso, sugerimos a reflexão sobre algumas atitudes que podem ajudar e fortalecer relações entre adultos e crianças. É fato que esses aspectos serão vividos de forma diferente em cada relação e que existem inúmeros outros elementos que compõem a interação. Porém, investimentos nessas questões podem fazer grandes diferenças:

– Confiar na criança: É importante que o adulto dê liberdade à criança, permitindo que ela explore os ambientes e realize atividades e tarefas com autonomia. Dessa forma, ela sentirá que é capaz de cuidar de si, o que contribui para sua autoestima. É verdade que independência é conquistada progressivamente e a cada idade a autonomia representa distintas possibilidades também. Porém, desde cedo, é possível dar abertura para que a criança aprenda a realizar determinadas tarefas e ações sozinha, prescindindo, aos poucos, do adulto. Ajudar em casa, dando pequenas contribuições, por exemplo, é uma forma de incentivar não só o desenvolvimento de habilidades motoras e cognitivas, como de convidar as crianças a participar dos cuidados de ambientes compartilhados, pelos quais são corresponsáveis.

– Dizer não: Apontar limites de forma clara e com firmeza é algo extremamente necessário na educação das crianças. Isso não significa ser ríspido ou autoritário, mas sim se colocar num lugar de referência. Certos “nãos” são formas de proteger a criança de riscos dos quais ela ainda não tem conhecimento ou de ensinar questões fundamentais de convívio social. Uma criança que não experimenta frustrações e limites pode tornar-se extremamente angustiada, encontrar dificuldades nos relacionamentos e sentir-se despreparada para enfrentar desafios.

– Apostar na aprendizagem: Muitas vezes, os adultos sentem-se preocupados em apresentar desafios grandes demais para as crianças ou mesmo em deixá-las enfrentar à sua maneira situações e problemas que a vida coloca. É claro que deixar crianças vivenciarem situações muito angustiantes sozinhas pode levar a sentimentos de abandono e desamparo. Porém, é fundamental não subestimar as capacidades infantis de aprender com obstáculos e erros. Enfrentar desafios pode ser uma ótima maneira de descobrir novos caminhos, inventar soluções criativas, tornar-se mais flexível, confiar nas próprias capacidades de resolução de problemas, entre tantos outros aprendizados.

– Observar e escutar: Crianças são muito inteligentes e sensíveis e costumam perceber aspectos das situações que nós, adultos, absorvemos de modo automático. Muitas vezes os pequenos se expressam de maneiras inusitadas, com as quais não estamos acostumados. É importante dar espaço para que tragam seu ponto de vista sobre as vivências. Escutar atentamente essas manifestações também é uma forma de conhecer o que se passa com aquela criança.

– Auto-observação: Além de observar a criança e tentar compreender o que ela comunica, é fundamental ser capaz de olhar para si mesmo e questionar as próprias atitudes. Como tenho agido com essa criança? Como reajo às manifestações e características dela? Que modelo de comportamento tenho oferecido? Como tenho me comunicado com a criança? Refletir sobre essas e outras questões pode ajudar a transformar aspectos da relação que não estão sendo favoráveis à manutenção do vínculo com a criança e ao seu desenvolvimento. Além disso, a possibilidade de rever uma atitude e de reconhecer os próprios erros, desculpando-se com a criança, contribuem para o adulto ser visto como uma referência confiável e respeitada.

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Texto original: Toda Criança Pode Aprender

Primeiro mês de vida: será mesmo que os bebês “só choram, comem e dormem”?

jan 29

O primeiro mês de vida de uma criança pode nos parecer bastante “parado” e “tranquilo” à primeira vista. Seu tempo é passado entre momentos de sono, nos quais descansa profundamente; sono rápido, em que move-se enquanto dorme e reage a sons do ambiente e sonolência, ou semicerrar de olhos que acontece antes de dormir. Quando está acordado alterna entre estados de vigília descontraída, nos quais observa o mundo; estados de vigília ativa, em que ocorrem movimentações do corpo e mímicas faciais ou momentos de choro, que podem ser acompanhados de gritos e agitação corporal.

Na maioria do tempo o bebê está deitado de barriga para cima e só é capaz de sustentar um pouquinho a própria cabeça quando está de bruços e procura levantar o olhar. Entretanto, estes são momentos fundamentais para o desenvolvimento. Os movimentos inaugurais no berço vão fortalecendo os braços, as pernas e as costas para que posteriormente a criança seja capaz sustentar o próprio corpo. Os primeiros reflexos de agarrar e alternar as pernas quando segurado em pé vão aos poucos se refinando para dar lugar a movimentações mais coordenadas e voluntárias.

Os gestos e sons emitidos nesta fase também são importantes, pois possibilitam que a comunicação e a linguagem comecem a se desenvolver.

Conforme o bebê vai crescendo, além do choro, ele passa a emitir outros ruídos até ser capaz de repetir uma vogal como “aaaaa” por algum tempo. Quem nunca viu um pequeno divertindo-se com isso, gargalhando de sua própria voz?

Nestes momentos iniciais de vida a criança é muito frágil e tudo que acontece ao seu redor é sentido intensamente. Isto porque ela ainda não diferencia o que está acontecendo dentro e fora dela e pode ficar muito desestabilizada num o ambiente hostil, agitado ou quando é deixada sozinha por tempo demais. Para o bebê, a mãe é sentida como o mundo e ambos formam um só ser. A presença dela é essencial para a sobrevivência da criança. Além de oferecer alimento, higiene e segurança, com seus cuidados vai suprindo as necessidades do bebê e lhe ensinando sobre os limites de seu corpo.

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Artigo original: Toda Criança Pode Aprender

Dicas para Amamentação

jan 22

Dicas do BabyCenter para auxiliar as mamães na amamentação:

– Apoie a palma da mão atrás do ombro do bebê e o dedo indicador e o polegar atrás das orelhinhas dele; outra possibilidade é apoiar a cabeça do bebê na sua mão inteira e fazer um pouco de pressão com a parte inferior da mão; você ainda por usar seu antebraço como suporte para os ombros do bebê. Só apoie a cabecinha, não a pressione contra o peito. Assim o bebê tem liberdade de afastar o nariz se se sentir sufocado. Sim, ele é capaz de fazer isso sozinho!
– Deixe a boca do bebê tocar levemente seu mamilo, de preferência já molhadinho de leite, porque o reflexo de “abrir o bocão” é imediato. A criança encontra o seio principalmente pelo tato, não pela visão ou pelo cheiro — embora esses outros sentidos tenham alguma influência.
– Acomode seu filho ao perceber que a boca dele começou a se abrir — não espere até que esteja completamente aberta –, para que ele consiga abocanhar uma boa parte da mama.
– Prepare-se para o momento em que o bebê abrir a boca segurando seu seio com a mão em forma de C, mas segurando bem longe do mamilo. Assim você ajuda a enfiar o peito na boca dele.
– Se você sentir que seu peito está muito duro, faça antes uma massagem para que fique mais fácil para o bebê abocanhar o peito.
– Preste atenção no lábio inferior da criança, não na parte de cima. O importante é que essa região da boca esteja o mais distante possível da base do mamilo, assim o queixo dele pressionará um pouco sua mama e, naturalmente, o mamilo abaixará um pouco e será coberto pelo lábio superior. A parte escura do peito fica mais visível em cima da boca do bebê do que embaixo.
– Se você estiver apoiando seu seio com a mão, mantenha-a o mais longe do mamilo que conseguir — de preferência na área das costelas. Uma vez que o seio esteja bem ajustado, movimente apenas o bebê. Quando vocês dois estiverem acomodados, não é mais necessário segurar o peito.

Dia Mundial da Amamentacao

Como os primeiros momentos de vida nos marcam neurobiologicamente?

jan 15

Quando a criança nasce ela é completamente dependente do adulto para a sobrevivência, embora possua capacidades e experiências particulares. O organismo e o cérebro ainda estão em desenvolvimento e isso torna o recém nascido extremamente sensível e perceptivo aos estímulos de seu entorno. Por isso ele é incrivelmente apto a construir conexões e comunicações cerebrais importantes, chamadas redes sinápticas, o que também faz dele um ser vulnerável.

Nesta etapa, é importante que o adulto exerça papéis de proteção e acolhimento, tornando as vivências mais brandas e seguras. Conforme vão se conhecendo, o bebê e cuidador estabelecem formas de comunicação e o adulto é capaz de dar sentido ao que a criança reivindica. Assim, um choro passa a indicar fome, dor ou sono e tais solicitações, ao serem satisfeitas, ajudam o bebê a gradativamente entender que o desconforto que sente tem um significado específico. A função do adulto de completar o gesto da criança, oferecendo a ela o necessário para sua satisfação e ao mesmo tempo dando contorno ao que é vivenciado por ela é chamada de maternagem. Embora o termo se relacione com a palavra “mãe”, não precisa ser exercida apenas pela mãe.

Quando estas primeiras vivências emocionais e corporais são positivas, ajudam a criança a criar redes sinápticas de forma mais funcional.

Mas qual a relação entre estas experiências e o desenvolvimento neurológico?
Uma das estruturas do sistema nervoso central, a amígdala, é responsável por disparar reações comportamentais frente a situações de medo e ansiedade. No recém-nascido ela é constantemente ativada, pois a proteção do adulto se faz necessária em inúmeras situações. Conforme o bebê vai tendo sensação de segurança em relação ao ambiente e às relações de forma contínua (através de cuidados adequados) acumula experiências positivas em seu sistema neurológico. Assim, a amígdala passa a ser acionada de forma mais coerente, apenas em momentos de necessidade, pois a criança vai compreendendo que nem tudo é ameaça.

As primeiras vivências da criança no mundo são fundamentais para a sua constituição e de alguma maneira deixarão marcas definitivas. Porém, um começo de vida não ideal não equivale a uma condenação para o futuro. A inteligência e a cognição são aspectos muito complexos do ser humano, que envolvem diversos fatores e estão em constante transformação.

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Artigo original de: Toda Criança Pode Aprender

Parentalidade Positiva

jan 08

A psicologia positiva enquadra as questões da parentalidade, pela forma científica e rigorosa, quando estuda e identifica as intervenções que constroem e promovem a gestão saudável e feliz das emoções entre pais e filhos.

slowparenting

As habilidades individuais determinam a adaptação psicológica do indivíduo ao meio, sendo por isso de extrema importância dotar as figuras parentais de competências emocionais e sociais e de responsabilidade na transmissão das mesmas.

A educação parental não se pode basear no controle de comportamentos, mas sim na compreensão das emoções que os explicam.

A Educação Positiva tem consequências abrangentes, formadoras e permanentes. Isto porque forma e desenvolve recursos intelectuais que irão ser utilizados posteriormente pela criança.

Nos primeiros anos de vida o desenvolvimento social, cognitivo e físico é determinante sendo naturalmente exponenciado pelas brincadeiras naturais e pela boa disposição presente nas crianças. As emoções positivas facilitam actividades de exploração, que por sua vez, permitem um maior domínio, e este, o desenvolvimento de novas emoções positivas.

Outro aspecto importante na relação precoce com os filhos é olhar as emoções positivas tão seriamente como as negativas e, as suas forças, de forma tão atenta quanto as fraquezas. Nos primeiros anos de vida a principal tarefa da Educação Positiva é desenvolver e educar para as Emoções Positivas.

Em síntese, são três os princípios básicos na Educação Parental: Emoções positivas desenvolvem fortes características individuais; Emoções positivas geram emoções positivas e Conhecer o seu filho significa identificar as suas forças, tão bem quanto as suas fraquezas.

Educar os nossos filhos para o otimismo, vai-nos permitir viver com mais felicidade e bem-estar e co-construir uma geração mais confiante, sorridente e positiva.

Fonte: Conversas com Barriguinhas

Bebês – A Exploração através da Boca

dez 28

Você já deve ter reparado, observando bebês e crianças bem pequenas à sua volta, como é comum vê-los pegando quaisquer objetos que veem pela frente e os colocando dentro da boca. Certo? Sabe por que isso acontece? Pois bem, a boca é a zona corpórea inaugural que possibilita ao bebê um encontro com o outro e com o mundo. Tal movimento concede uma experimentação, um sentir de sabores, texturas, trazendo um conhecimento mais apurado, enfim, do que se trata o novo objeto encontrado pelo seu caminho, explorando o seu entorno através da oralidade.

Não podemos deixar de mencionar a função que a amamentação tem neste processo inicial do desenvolvimento. Quando o bebê mama, várias sensações acabam invadindo esse corpo, essa boca, que suga, morde, toca o bico do seio da mãe e dele retira o leite, alimento fundamental para a sua sobrevivência. Para além do abastecimento nutricional, ao olhar nos olhos da mãe, o bebê também busca a verdade de seus sentimentos, o amor, alimento fundamental para sua alma humana, experimentando neste encontro uma sensação prazerosa, que irá provavelmente querer repetir para obtê-la novamente. A chupeta, a mamadeira, o beijo, mais para frente, talvez sejam atividades que venham a atualizar essa primeira vivência corpórea gostosa.

Nesse impulso que os leva às descobertas, os pequenos vão provando sensações muito peculiares de duro, mole, quente, frio, áspero, azedo, doce, entre outras inúmeras percepções viabilizadas pelo tato e paladar da boca, que lhes darão maior familiaridade com as coisas, revelando o que gostam e o que não gostam, o que são capazes de fazer com seus lábios, gengivas, língua etc., encontrando potencialidade nesses gestos investigativos.

Por isso, o modo como os pais e/ou cuidadores interagem com as crianças nesses momentos iniciais de intensa auto exploração, deve partir de um olhar atento e zeloso, para que elas possam crescer em segurança e sentindo confiança em relação a si mesmas e aos adultos que a cercam. Mostrar o que pode e o que não pode ser inserido na cavidade bucal, fazer um desmame com calma e gradativamente, substituindo o peito ou a mamadeira por outros objetos e alimentos que deem conta de satisfazer essas demandas de prazer, contato e sustento são de crucial importância!

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Artigo retirado do site Toda Criança Pode Aprender