Maternidade no Divã | Psicologia, Maternidade e Desenvolvimento infantil <data:blog.pageTitle/>

Como os primeiros momentos de vida nos marcam neurobiologicamente?

jan 15

Quando a criança nasce ela é completamente dependente do adulto para a sobrevivência, embora possua capacidades e experiências particulares. O organismo e o cérebro ainda estão em desenvolvimento e isso torna o recém nascido extremamente sensível e perceptivo aos estímulos de seu entorno. Por isso ele é incrivelmente apto a construir conexões e comunicações cerebrais importantes, chamadas redes sinápticas, o que também faz dele um ser vulnerável.

Nesta etapa, é importante que o adulto exerça papéis de proteção e acolhimento, tornando as vivências mais brandas e seguras. Conforme vão se conhecendo, o bebê e cuidador estabelecem formas de comunicação e o adulto é capaz de dar sentido ao que a criança reivindica. Assim, um choro passa a indicar fome, dor ou sono e tais solicitações, ao serem satisfeitas, ajudam o bebê a gradativamente entender que o desconforto que sente tem um significado específico. A função do adulto de completar o gesto da criança, oferecendo a ela o necessário para sua satisfação e ao mesmo tempo dando contorno ao que é vivenciado por ela é chamada de maternagem. Embora o termo se relacione com a palavra “mãe”, não precisa ser exercida apenas pela mãe.

Quando estas primeiras vivências emocionais e corporais são positivas, ajudam a criança a criar redes sinápticas de forma mais funcional.

Mas qual a relação entre estas experiências e o desenvolvimento neurológico?
Uma das estruturas do sistema nervoso central, a amígdala, é responsável por disparar reações comportamentais frente a situações de medo e ansiedade. No recém-nascido ela é constantemente ativada, pois a proteção do adulto se faz necessária em inúmeras situações. Conforme o bebê vai tendo sensação de segurança em relação ao ambiente e às relações de forma contínua (através de cuidados adequados) acumula experiências positivas em seu sistema neurológico. Assim, a amígdala passa a ser acionada de forma mais coerente, apenas em momentos de necessidade, pois a criança vai compreendendo que nem tudo é ameaça.

As primeiras vivências da criança no mundo são fundamentais para a sua constituição e de alguma maneira deixarão marcas definitivas. Porém, um começo de vida não ideal não equivale a uma condenação para o futuro. A inteligência e a cognição são aspectos muito complexos do ser humano, que envolvem diversos fatores e estão em constante transformação.

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Artigo original de: Toda Criança Pode Aprender

Parentalidade Positiva

jan 08

A psicologia positiva enquadra as questões da parentalidade, pela forma científica e rigorosa, quando estuda e identifica as intervenções que constroem e promovem a gestão saudável e feliz das emoções entre pais e filhos.

slowparenting

As habilidades individuais determinam a adaptação psicológica do indivíduo ao meio, sendo por isso de extrema importância dotar as figuras parentais de competências emocionais e sociais e de responsabilidade na transmissão das mesmas.

A educação parental não se pode basear no controle de comportamentos, mas sim na compreensão das emoções que os explicam.

A Educação Positiva tem consequências abrangentes, formadoras e permanentes. Isto porque forma e desenvolve recursos intelectuais que irão ser utilizados posteriormente pela criança.

Nos primeiros anos de vida o desenvolvimento social, cognitivo e físico é determinante sendo naturalmente exponenciado pelas brincadeiras naturais e pela boa disposição presente nas crianças. As emoções positivas facilitam actividades de exploração, que por sua vez, permitem um maior domínio, e este, o desenvolvimento de novas emoções positivas.

Outro aspecto importante na relação precoce com os filhos é olhar as emoções positivas tão seriamente como as negativas e, as suas forças, de forma tão atenta quanto as fraquezas. Nos primeiros anos de vida a principal tarefa da Educação Positiva é desenvolver e educar para as Emoções Positivas.

Em síntese, são três os princípios básicos na Educação Parental: Emoções positivas desenvolvem fortes características individuais; Emoções positivas geram emoções positivas e Conhecer o seu filho significa identificar as suas forças, tão bem quanto as suas fraquezas.

Educar os nossos filhos para o otimismo, vai-nos permitir viver com mais felicidade e bem-estar e co-construir uma geração mais confiante, sorridente e positiva.

Fonte: Conversas com Barriguinhas

Bebês – A Exploração através da Boca

dez 28

Você já deve ter reparado, observando bebês e crianças bem pequenas à sua volta, como é comum vê-los pegando quaisquer objetos que veem pela frente e os colocando dentro da boca. Certo? Sabe por que isso acontece? Pois bem, a boca é a zona corpórea inaugural que possibilita ao bebê um encontro com o outro e com o mundo. Tal movimento concede uma experimentação, um sentir de sabores, texturas, trazendo um conhecimento mais apurado, enfim, do que se trata o novo objeto encontrado pelo seu caminho, explorando o seu entorno através da oralidade.

Não podemos deixar de mencionar a função que a amamentação tem neste processo inicial do desenvolvimento. Quando o bebê mama, várias sensações acabam invadindo esse corpo, essa boca, que suga, morde, toca o bico do seio da mãe e dele retira o leite, alimento fundamental para a sua sobrevivência. Para além do abastecimento nutricional, ao olhar nos olhos da mãe, o bebê também busca a verdade de seus sentimentos, o amor, alimento fundamental para sua alma humana, experimentando neste encontro uma sensação prazerosa, que irá provavelmente querer repetir para obtê-la novamente. A chupeta, a mamadeira, o beijo, mais para frente, talvez sejam atividades que venham a atualizar essa primeira vivência corpórea gostosa.

Nesse impulso que os leva às descobertas, os pequenos vão provando sensações muito peculiares de duro, mole, quente, frio, áspero, azedo, doce, entre outras inúmeras percepções viabilizadas pelo tato e paladar da boca, que lhes darão maior familiaridade com as coisas, revelando o que gostam e o que não gostam, o que são capazes de fazer com seus lábios, gengivas, língua etc., encontrando potencialidade nesses gestos investigativos.

Por isso, o modo como os pais e/ou cuidadores interagem com as crianças nesses momentos iniciais de intensa auto exploração, deve partir de um olhar atento e zeloso, para que elas possam crescer em segurança e sentindo confiança em relação a si mesmas e aos adultos que a cercam. Mostrar o que pode e o que não pode ser inserido na cavidade bucal, fazer um desmame com calma e gradativamente, substituindo o peito ou a mamadeira por outros objetos e alimentos que deem conta de satisfazer essas demandas de prazer, contato e sustento são de crucial importância!

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Artigo retirado do site Toda Criança Pode Aprender

Adoção – A construção da Maternidade

dez 18

Segundo a psicóloga Vera Iaconelli, diretora do Instituto Brasileiro de Psicologia Perinatal Gerar, ter um filho, natural ou adotado, implica em que abandonemos mesmo a fantasia que durante uma vida, desde que éramos crianças, cultivamos sobre ter filhos, sobre maternidade e paternidade. “De certo modo, todos nós somos adotados. Faz parte da função materna abandonar o bebê sonhado, idealizado, e acolher o bebê real, que, no início, é um desconhecido. Essa adaptação sempre demora um tempo, sempre tem um estranhamento, seja um filho saído de nossa barriga ou não”, diz.

“Toda criança, em algum momento, seja adotada ou não, vai testar seus pais”, diz Vera Iaconelli. Normalmente, ela faz isso quando já se sente segura, ou seja, depois de algum tempo. Portanto, por mais que seja difícil, essa fase pode indicar que tudo está indo bem.

“A gravidez é um evento social de enorme reconhecimento. Quando ela não acontece, mas ainda assim novo um filho irá formar parte da família, é importante comunicar isso, partilhar a novidade e significar essa chegada”, diz a psicóloga Vera Iaconelli. “Tanto para que a criança tenha um lugar, quanto para que a mãe seja socialmente reconhecida.”

“Toda mãe, adotiva ou não, quando o filho nasce ou chega, sente estranhamento, medo e até um humor meio triste, o chamado baby blues”, explica Vera. Isso acontece porque as mulheres, nesse momento, precisam abandonar a imagem do filho sonhado, aquele que elas imaginaram tantas vezes, desde a infância, para dar lugar ao filho real. “Não é porque nasceu de nossa própria barriga que a criança deixa de ser uma estranha”, diz Vera. “Esse estranhamento é comum, faz parte da adaptação, da chegada, e acontece com filhos naturais ou adotados.” Diante de tantas mudanças, lembre que é comum sentir ambivalência, insegurança, tristeza. Nessas horas, procure dividir os sentimentos com outras mulheres, com pessoas próximas, e ter muita calma. É preciso se dar um tempo para conhecer o seu filho e para se conhecer como mãe.

(Trechos do artigo Maternidade não é instinto. É construção.)

“Sopa de Pai” – A Gestação do Ponto de Vista Paterno

dez 15

Questões práticas, como o planejamento financeiro da nova família, e mais filosóficas, como o significado de ser pai são alguns dos temas abordados em Sopa de Pai (Editora Passarinho, R$ 54,00), que reúne os textos do diário virtual do pedagogo Marcelo Cunha Bueno. O livro conta algumas histórias passadas durante os nove meses de espera de Enrique, filho do autor, hoje com 5 anos, pelos olhos paternos.

O pedagogo Marcelo Cunha Bueno criou o blog Sopa de Pai, em 2010, quando ele e a mulher, Gabriele, souberam que um bebê estava a caminho. Seis anos depois dessa incrível descoberta, o diário que ele escreveu do início até o último dia da gestação saiu do mundo virtual e virou livro, com o mesmo título.

Como surgiu a ideia do livro?
O livro foi consequência. O blog Sopa de Pai foi uma gestação e o livro é um nascimento. De algo concreto e sensível. Mas o livro é amor também. É a forma de fazer as pessoas provarem desse amor, inspirarem-se com ele. Falta amor no mundo, em nosso tempo. Ler e escrever são gestos de afeto pelo mundo. Escrever um livro é dar amor.

Quais as expectativas com este lançamento?
Gostaria que as pessoas pudessem se enxergar um pouco nas histórias que contei. Que cada pessoa pudesse expressar um sorriso, uma surpresa, um encanto, uma emoção. Que cada palavra fosse capaz de dar uma emoção para quem as lesse. Minha expectativa é que não exista mais espaço entre mim, as palavras dessa história e os leitores e leitoras.

Como espera que o livro seja recebido pelos pais?
Não quero que o livro seja recebido como um recado “olha, ser pai é isso!” Quero que o Sopa seja um convite a pensarmos uma relação com a infância mais amorosa, mais afetiva e com mais entrega. Seria bom ver leveza no olhar e nos suspiros de pais, mães, avós, tios e tias…

O autor explicou que, muitas vezes, os pais sentem dificuldade de criar um laço com o filho que ainda está na barriga porque querem reproduzir a mesma relação que a criança tem com a mãe: “Eles passam a se sentir diminuídos porque acham que o vínculo é melhor com a mãe pela potência da gestação da mulher”. Para Marcelo, a “gestação do pai” é completamente diferente e a mãe sente uma emoção que o pai não vai sentir – mas isso não significa que não poderá ser criada uma forte ligação entre pai e filho, repleta de carinho, afeto e amor. (Bebe.com.br)

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Fontes: Crescer e Bebe.com.br

Ansiedade infantil: por que precisamos ensinar a criança a esperar?

dez 11

Fazer birra é um comportamento normal das crianças, afinal, faz parte da infância testar os limites. A questão é que, com a tecnologia cada vez mais ao alcance das (pequeninas) mãos, a paciência está virando artigo de luxo. “Vivemos num contexto em que tudo se resolve muito rapidamente com apenas um clique. Os avanços tecnológicos fazem com que as crianças cresçam num mundo em que as coisas acontecem na hora em que elas querem. Não precisam nem esperar o desenho preferido na TV, já que assistem quando têm vontade e na plataforma que preferem”, explica Roberta Bento, especialista em aprendizagem baseada no funcionamento do cérebro pela Universidade da Califórnia e Duke University; e em aprendizagem cooperativa pelas Universidades de Minnesota e de San Diego.

Além da questão tecnológica, a formação das famílias atuais também influencia nessa pressa que os pequenos têm para serem atendidos. “Antigamente, tinha-se mais filhos e até nas refeições era preciso esperar a sua vez de ser servido. Hoje, é cada vez mais comum que os casais tenham só uma criança, que sempre tem tudo na hora que quer”, lembra a especialista, que completa: “elas vivem num mundo que parece ser totalmente adaptado e pronto para os seus desejos”.

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E não custa lembrar: o comportamento da criança na rua, na escola, nos restaurantes e em todos os outros ambientes que ela frequenta é apenas um reflexo de como ela vive em casa e, claro, de como os pais se comportam. Portanto, não adianta esperar que seu filho saiba esperar se, em casa, ele tem tudo quando deseja e se vê os adultos na maior correria a todo momento. Além disso, é preciso ter consciência de que a paciência precisa ser ensinada. “Essa não é mais uma competência que se desenvolve sozinha e não é interessante que os pais pensem que, dado o contexto atual, ela é desnecessária, já que tudo acontece muito rápido. É preciso que eles se empenhem dia a dia”, ressalta a especialista.

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A importância do tédio
Natação, inglês, judô, futebol, balé? A agenda dos pequenos parece estar cada vez mais cheia de atividades e o tempo livre – aquela famosa horinha de não fazer nada – está ficando raro. “Nós percebemos uma angústia dos pais em nunca deixar as crianças entediadas, mas a verdade é que elas precisam lidar com isso. Vivenciar o tédio é bom porque ele gera a necessidade da criatividade para fazer alguma coisa interessante, além de possibilitar um descanso ao cérebro”, finaliza Roberta.

Matéria original: Educar Para Crescer (Leia o artigo completo aqui)