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Amamentação na UTI Neonatal

Depois de diversos depoimentos sobre amamentação e da última história da Marília, hoje o post é sobre a amamentação na UTI Neonatal.

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Sabe-se que o melhor alimento para o bebê é o leite materno. Contudo, muitos dos bebês prematuros ou que apresentam desconforto respiratório não poderão ser amamentados no início da internação. A alimentação do bebê na UTI começa com soro glicosado na veia (nutrição parenteral), depois leite materno ou artificial através da sonda, seguido pela chuquinha (uma mamadeira pequena e fácil de ser sugada), e, por último, no seio materno. É importante que a UTI utilize leite materno para os prematuros, e que haja um banco de leite ou lactário que possibilite às mães armazenarem o leite.

Maldonado (1985) sugeriu que a interação entre a mãe e o bebê na situação de alimentação é o primeiro evento social na vida da criança. A questão da amamentação é um ponto importante na vida das “mães de UTI”. É comum ouvir delas grande insatisfação por não poderem amamentar seus filhos desde o início de suas vidas. Muitos dos bebês internados não são capazes de sugar, deglutir e respirar ao mesmo tempo. Por isso, são alimentados através de uma sonda que vai da boca até o estômago.

A maioria dos bebês ficam em “dieta zero” nas primeiras horas de internação, o que significa que ainda não está se alimentando de leite. Mesmo assim é importante que a mãe faça a ordenha para evitar que tenha problemas no seio e para que a produção seja mantida até que o recém-nascido possa recebê-lo. É comum ouvir reclamações das mães quanto à extração do leite quando seus bebês ainda não estão sendo alimentados. Muitas se entristecem por terem que jogar fora o leite retirado e ficam desanimadas a irem ao lactário. “Por que vou tirar leite se meu filho ainda não pode se alimentar dele?” é uma questão frequente nos primeiros dias da internação do bebê.

O ambiente do lactário é geralmente descrito como frio e pouco acolhedor. É comum que nos primeiros dias a produção de leite seja pequena, ainda mais quando o parto foi cesariana e prematuro. Por vezes as mães não conseguem retirar nada nas primeiras idas ao lactário, o que gera mais uma vez a sensação de serem mães incapazes, ruins e insatisfatórias para seus filhos. É importante que a mãe saiba que a maioria das mães começaram como ela, tirando pouco, e que a produção vai aumentando com o tempo. É essencial uma conversa sobre o lactário, alimentação e amamentação com as mães para que se reduza a culpa e que ela conheça dados de realidade de um contexto que é desconhecido pela maioria.

É sabido que as emoções afetam a produção de leite materno, através de mecanismos psicossomáticos específicos. Tranquilidade, calma e confiança são fatores que favorecem bom aleitamento. Por outro lado, medo, fadiga, dor, ansiedade e depressão podem provocar fracasso na amamentação. Além disso, um ambiente favorável é de extrema importância, transmitindo apoio e encorajamento. Sendo assim, principalmente na UTI, a postura da equipe de saúde é um ponto que influencia muito na decisão e na continuidade de amamentação. Deve-se oferecer informações e apoiar a mãe que deseja amamentar, mesmo que no início seu leite não seja fornecido diretamente do seu seio para o bebê.

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Fonte:

MALDONADO, M. T. P. Psicologia da gravidez. Petrópolis : Vozes, 1985.

One thought on “Amamentação na UTI Neonatal

  1. Parabéns pelo post! Bastante informativo e hoje em dia informação é tudo, e sobre amamentação você disse tudo, não consegui amamentar meu bebê devido várias coisa e isso me deixou bastante triste o que piorou a situação.
    Então o melhor é ter sempre calma e paciência.
    Bjos
    Tatty

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