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Depressão Pós-Parto e Depressão Materna

Antes de iniciar, desejo esclarecer que a proposta do post a seguir é informar profissionais de saúde e familiares de gestantes sobre a importância do diagnóstico da depressão pós-parto pois, quanto mais cedo ele for feito, menor será o impacto para a mulher e para o bebê. O apoio familiar, social e terapêutico é essencial para que as mulheres depressivas exerçam sua função de protetora e se recuperem mais rapidamente. 

A identificação de transtornos psiquiátricos associados à gestação e ao puerpério não é recente. Nos séculos XVII e XVIII já eram relatados casos de “insanidade puerperal” nas literaturas médicas francesa e alemã. Jean Esquirol, em 1818, foi o primeiro a oferecer dados detalhados e quantitativos de casos de psicose puerperal. No entanto, apesar de a psicose pós-parto ser conhecida pela maioria dos clínicos no final do século XIX, foi apenas a partir da década de 1950 que começaram a aparecer estudos incluindo quadros moderados de transtornos do humor, como a Depressão Pós-parto. (CANTILINO, A. et al, 2010)

O pós-parto é o perío­do de maior vulnerabilidade na vida da mulher para o aparecimento de transtornos psiquiátricos. Segundo o DSM-IV (Classificação de Doenças Mentais da Associação Norteamericana de Psiquiatria) e a CID-10 (Classificação Internacional das Doenças), a Depressão Pós-Parto (DPP) pode ocorrer durante as 6 semanas após o nascimento do bebê. Se os sintomas depressivos da mulher ocorrem após esses períodos supracitados, e/ou se estendem pelo primeiro ano de vida do filho, ela pode ser denominada Depressão Materna. No entanto, existem autores que usam o termo Depressão Pós-Parto para falar da depressão que surge desde após o parto até o primeiro aniversário do bebê.

A DPP acomete um número altíssimo de mulheres – em torno de 10% a 15%, segundo pesquisas americanas. À depressão materna podem ser atribuídos os seguintes possíveis sintomas: crises de choro, alterações no apetite e no sono, irritabilidade, sentimentos de desamparo e desesperança, falta de interesse em atividades que antes eram prazerosas, problemas de concentração, desatenção. Podem também aparecer sentimentos excessivos de culpa e, em casos mais raros e graves, ideias de suicídio. Estudos concluem que a ocorrência da depressão pós-parto está associada não apenas a fatores biológicos (hormonais), mas também a fatores obstétricos, sociais e psicológicos que se inter-relacionam.

Mother In Nursery Suffering From Post Natal Depression

De acordo com diversos autores a depressão materna tende a ser leve. O problema é que como os sintomas frequentemente não tem grande intensidade, ela é raramente diagnosticada. Além disso, como ansiedade, cansaço, insônia e humor instável são comuns na gestação e nas primeiras semanas pós-parto, um transtorno de humor corre o risco de não ser devidamente diagnosticado, pois os sintomas podem ser considerados normais pelos profissionais de saúde.

As chances de prejuízos na relação da mãe deprimida com o bebê, e de repercussões negativas no desenvolvimento da criança aumentam quanto mais grave e persistente for a depressão materna. Na próxima semana falarei sobre como a depressão da mãe pode afetar as interações mãe-bebê. Lembrando que um pai presente e o suporte familiar adequado podem minimizar o impacto negativo que a situação materna acarreta no desenvolvimento infantil. Até quinta!

Interessou-se pelo tema? Leia essa entrevista do Dr. Drauzio Varella com o psiquiatra Dr. Frederico Navas Demétrio, conversando sobre sinais de alerta, diagnóstico e tratamento da Depressão Pós-Parto.

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Fontes:

BALLONE, G. J. – Depressão Pós-Parto – in. PsiqWeb, Internet, disponível em www.psiqweb.med.br, revisto em 2008.

CANTILINO, A. et al. Transtornos psiquiátricos no pós-parto. Rev Psiq Clín. 2010;37(6):278-84

DEMARQUE, R. et al. (2012) Padecer no paraíso. Conheça alguns Transtornos Psíquicos na Gestação e no Pós-Parto que comumente acometem as mulheres, como amenizar o sofrimento e até evitá-los. Revista Psique Ciência & Vida, Edição 77.

FRIZZO, G. B. & PICCININI, C. A. (2007) Depressão Materna e a Interação Triádica Pai-Mãe-Bebê. Psicologia: Reflexão e Crítica, 20(3), 351-360.

 

4 thoughts on “Depressão Pós-Parto e Depressão Materna

  1. A depressão pós-parto, é muito mais comum,do que parece.Por este motivo,há que se prestar muita atenção à parturiente,o que só ocorre normalmente nas classes mais favorecidas.aí o diagnóstico fica mais fácil,e as condições de tratamento também.
    Quantas vezes ouvimos dizer que uma mãe jogou seu bebê no lixo,ou em outro lugar qualquer…Podemos reparar,que isto só acontece com mães pobres,que não possuem acompanhamento psicológico!Na gramde maioria das vezes,não o fizeram porque não queriam seus filhos realmente,e sim,porque estavam atravessando este grande problema que afeta algumas mamães!
    Fico muito preocupada com esta situação,e espero que um dia ,todas as famílias tenham acesso a estas informações,para não crucificarem a quem este problema afetar.Psicólogos pata TODOS,neste momento tão importante na vida de uma mulher,ou seja,o mais importabte de todos!!!

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