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Fim da Licença Maternidade – E os bebês, como ficam?

Uma leitora falou comigo sobre o último post sobre licença maternidade e pediu para que eu falasse mais sobre o lado do bebê na separação com a mãe. O foco do post anterior foi na mulher, e essa mamãe sentiu falta de saber como é pra criança quando a mãe sai de casa para o retorno ao trabalho.

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É claro que cada criança é diferente da outra, e que não existem regras no universo materno-infantil, mas podemos pensar em alguns pontos para refletir:

  • Primeiro de tudo – por mais óbvio que possa parecer – é sempre bom reforçar: seu filho vai sobreviver. Ele vai superar sua ausência e, se bem assistido, se desenvolverá normalmente.
  • É muito natural você pensar que ninguém cuidará do seu bebê como você. Isso até pode ser verdade, mas não quer dizer que ele não terá o cuidado que precisa para se desenvolver com saúde física e emocional. É importante tomar a decisão com antecedência e se planejar:- Se a sua opção for deixar seu filho com uma babá, permita que ele a conheça enquanto você ainda estiver por perto. Ou seja, antes de você voltar pro trabalho, contrate a babá e apresente seu filho a ela. O quanto antes, melhor – dessa forma ele se sentirá mais seguro quando tiver que ficar sem você. Permita que ele fique sozinho com ela por curtos períodos de tempo, aumentando gradualmente. Pode ser que ele reclame mesmo assim, mas se ajustará mais facilmente à sua ausência quando cercado de pessoas conhecidas. A função da babá não é a de substituir ninguém, apenas ajudar!
    – Se sua escolha for o berçário, faça visitas, esclareça suas dúvidas, conheça a filosofia do local e os cuidadores. É interessante conhecer as creches dos filhos de amigos ou parentes – indicações de pessoas confiáveis são sempre bem-vindas! Verifique como são feitas as refeições, quantos bebês ficam sob responsabilidade de um cuidador, a limpeza e, principalmente, a segurança do ambiente.
  • Sempre diga adeus. Diga ao bebê onde você está indo e quando voltará. Resista ao impulso de fugir! Ele ficará mais ansioso se achar que você simplesmente desapareceu.
  • Entretanto, não prolongue a partida. Ficar se despedindo por muito tempo dá a criança a ideia de que há algo a temer.
  • Ao deixar seu filho em uma creche ou com a babá, peça para que o profissional anote as coisas mais importantes do dia da criança (hora do banho, horas de sono, o que comeu, eventuais cólicas). Dessa forma, você saberá diariamente como foi seu dia e como está sendo estabelecida sua rotina.
  • Use e abuse dos grupos de apoio – na internet, nas redes sociais, existem diversos grupos de mães que estão retornando ao trabalho. Nesse grupos elas expressam seus medos e ansiedades e também trocam experiências.
  • No fim do dia, reserve um tempo para ficar com seu bebê. Mesmo que seja por pouco tempo, é essencial que você fique com seu filho. Fique completamente entregue nesses momentos, sem que ele tenha que dividi-la com a TV e o celular ou smartphone.

“Entendo que é natural a mulher se sentir confusa e com muitas dúvidas quando chega o momento de encarar a realidade externa. Mas o vínculo simbiótico mãe-bebê não tem que durar para sempre! Donald Winnicott, psicanalista inglês que foi um dos pioneiros no estudo da relação mãe-bebê, tem um conceito muito interessante, que nos ajuda a desmistificar a idéia idealizada de que a mãe tem que ser super presente. Para ele, uma mãe deve ser suficientemente boa. Veja só que alento! Precisamos ser suficientes e não excelentes! Somos suficientes quando ajudamos nossos bebês a compreender que existe um mundo lá fora! Sim, é tarefa da mãe inserir seu bebê neste mundo, que não se restringe à relação dual do bebê com ela.” Maria Carolina Signorelli, psicóloga.

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