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História da Maternidade

Considero importante começar o blog falando sobre como a maternidade e o nascimento foram vistos em diferentes épocas. Não podemos supor que desde sempre esses fenômenos, e seus impactos na vida feminina e familiar, foram vistos como são atualmente. Pretendo apresentar hoje a história do nascimento de um bebê desde a pré-história até o século XVIII.

Para falarmos sobre maternidade precisamos compreender como ela foi vista durante toda a História. As concepções sobre o nascimento de uma criança mudaram muito desde a pré-história até o século XXI. O conceito de família como conhecemos hoje é uma construção sociocultural, que se modifica de acordo com os contextos históricos.

No antigo Egito, quando a gestante ia dar a luz, uma das parteiras rezava para a deusa Isis, para que ela reduzisse as dores do parto. Enquanto isso, outra mulher a sustentava quando as contrações aconteciam e outra massageava seu ventre! Quando o bebê já estava por nascer, uma parteira ajoelhada de frente à mãe, recebia o bebê e elegia seu nome de acordo com a posição dos astros no momento do nascimento. Na Grécia Antiga, diante dos primeiros sinais de trabalho de parto, as parteiras invocavam a deusa Ártemis, além de prepararem poções para auxiliarem o parto, e cantarem com as gestantes. Já na Roma Antiga as mulheres preparavam um óleo, a cadeira de parto e acompanhavam a parturiente. Diante desses exemplos podemos observar como as parteiras não ajudavam as gestantes apenas do ponto físico, mas também cumpriam um papel de dar suporte psicológico na situação em que a palavra divina tinha um lugar privilegiado. A parteira era a responsável por amparar a chegada do bebê.

Badinter (1980) analisou as práticas de criação nas cidades da Europa do século XVI ao XVIII. Nessa época havia uma tendência de enviar os recém-nascidos para o campo para ser cuidados por amas de leite. As mães eram separadas de seus filhos com dias de vida, e eles voltavam para a família biológica com cinco ou mais anos. Isso pode ser porque as tarefas maternas contradiziam com os deveres sociais da aristocracia; com a vida conjugal burguesa, já que mulher deveria compartilhar as tarefas do marido; e com o trabalho da empregada doméstica, pois era impossível educar os filhos e cumprir seu trabalho ao mesmo tempo. No entanto, era de conhecimento de todos que mais de 50% das crianças dadas às amas de leite morriam por causa das más condições de vida no campo e por negligência das mães de aluguel. Surge então a questão: por que essas mães aceitavam entregar seus filhos a uma morte quase certa? Sabendo que essa prática foi comum à maioria das mulheres urbanas de todas as classes sociais por mais de dois séculos, seria o instinto maternal tão universal e definitivo, como consideramos atualmente?

A resposta já está implícita acima: a valorização da figura materna tal como conhecemos nas sociedades modernas é um produto histórico.

A continuação dessa história e de como chegamos a maternidade como conhecemos hoje virá no próximo post. Fique de olho! 🙂

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Fontes:

Badinter, E. Um amor conquistado. O mito do amor materno. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985.

Fuller, N. Identidad Femenina y Maternidad: Una relación incómoda. Boletín Virtual. El derecho al aborto es un derecho de las mujeres. 2005.

Oiberman, A. La palabra en las maternidades: una aproximación a la psicología perinatal. Em: Psicología, Cultura y Sociedad – Ano 1, Número 1.