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Como falar sobre morte com as crianças

Perder alguém é triste, é muito duro – um processo de luto precisa acontecer. E com as crianças não é diferente! Engana-se quem pensa que elas nunca ouviram falar de morte. O pai de Simba, no filme O Rei Leão, morreu. Na maioria dos desenhos os mocinhos matam os vilões. O peixinho Nemo perde sua mãe no início da história. As princesas Bela, a Jasmine e a Ariel não tem mãe. Os adultos não devem esquecer que as crianças conseguem lidar com situações negativas, como a doença e a morte.

Em relação à morte de algum parente, pessoa próxima ou um animal de estimação não devemos poupar as crianças pensando em protegê-las ou acreditando que elas são muito pequenas para compreender. Os adultos são os responsáveis por explicar que a morte faz parte do ciclo natural da vida, sempre com uma linguagem adequada à idade do pequeno. Até os sete anos, aproximadamente, a criança não entende a noção de morte como algo definitivo e irreversível. Mas, mesmo assim, é necessário ser sincero com ela, dizer sempre a verdade. Isso é essencial pois, mesmo muito pequena, a criança é capaz de perceber os pais tristes e a mudança do clima em casa – ela nota que algo aconteceu. Não se deve mentir sobre, ou esconder, a morte – devemos contar que a pessoa morreu, que não estará mais aqui presente, mas que sempre estará em nossos corações e lembranças. Os adultos podem chorar na frente dos filhos – esse comportamento reforça que é normal estarem tristes. Ao contar para a criança sobre a morte de alguém, é importante falar das razões pelas quais a morte aconteceu (doença, acidente, velhice, etc.). É imprescindível dar colo, e espaço para a criança fazer perguntas e falar sobre suas angústias e medos.

Falar que o vovô foi fazer uma longa viagem ou que a titia dormiu ou descansou, não é eficiente pois a criança tende a levar isso “ao pé da letra” e pode pensar que: quem vai viajar não volta mais; a morte é reversível e a pessoa pode acordar ou até começar a ter medo de dormir. Por mais difícil que seja, devemos usar a palavra morte, pois a criança precisa compreender que esse é um conceito que faz parte da vida. Uma boa forma de explicar a morte para elas é mostrar as flores como exemplo… elas também nascem, crescem, e morrem!

A criança também vai passar pelas etapas do luto… pode passar pelo processo de negação (“isso não aconteceu”), pode sentir raiva (pesadelos, irritabilidade, falta de sono, falta de paciência, falta ou excesso de apetite), ter o sentimento de tristeza, que ajudará a cicatrizar essa ferida, e enfim chegar à fase da aceitação.

A criança deve participar dos rituais de passagem (velório, enterro, cremação) se desejar. É necessário explicar um pouco para ela como são esses eventos, como eles funcionam, e deixá-la decidir se quer ir ou não. Se ela optar por ir, fique ao seu lado, dê um suporte, mas se ela quiser ir embora antes do fim, aceite. Se ela não quiser ir, é essencial respeitá-la e não julgá-la por isso. De qualquer forma, é interessante criar rituais com os pequenos: fazer desenhos, escrever uma carta, soltar um balão… algum ato que faça sentido para ela, e que simbolize uma despedida com maior concretude.

“O confronto da criança com a morte é inevitável, porque as experiências de perda estão associadas ao crescimento de qualquer ser humano, independentemente da sua idade.” Susana Moutinho

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