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Separação dos pais – Como ficam os filhos?

divorcio

“No caso de uma separação mal resolvida, os filhos acabam por sofrer conseqüências ruins, pois dificilmente o casal conseguirá falar da separação de forma clara, esclarecendo sobre como será dali para frente, assegurando o afeto de ambos e alterando o mínimo possível o cotidiano dos filhos, num período que já impõe muitas mudanças.

Filhos envolvidos em brigas tenderão a tomar partido, a sentirem-se culpados e ameaçados de perderem intimidade com um dos pais, ou com ambos.

Separação não é apenas separar casas: implica em elaborar as experiências emocionais que rondam a vida afetiva do casal. Existem muitos casais que concluem a “separação de corpos”, mas que se relacionam como se ainda estivessem completamente aprisionados um ao outro. (…)

Os filhos são, com isso, as principais vítimas da falta de maturidade dos pais. E ainda com pouca idade: existem dados que mostram que a maioria das separações ocorre antes de 10 anos de casamento e que, por isso, a maioria dos separados têm filhos menores de idade. Deste modo, dependeriam de que os pais pudessem lhe emprestar algumas habilidades necessárias para lidar com certos eventos e que eles não tiveram ainda tempo de desenvolver em si mesmos.

Como fazê-lo, se os próprios pais não desenvolveram tais recursos em si próprios e não podem, por isso, oferecer um modelo? Será um caminho muito solitário se o filho quiser tentar. (…)

A separação pode contribuir para um crescimento mútuo quando ambos os parceiros buscam uma identidade pessoal, que sentem ainda não terem sedimentado, e que depende da tomada de um caminho mais próprio, que exclui o outro e seus projetos. Nesta linha, a separação aparece como uma vivência criativa.

O divórcio, quando é o caso, deve ser preparado de forma madura, assumindo cada um dos cônjuges sua parte de responsabilidade nos sucessos e fracassos da relação, lidando com as perdas e seus lutos correspondentes, além de cultivar e preservar uma boa cooperação no que se refere à educação dos filhos.”

Trecho de um artigo escrito por Maria Luiza Dias e publicado na Revista Viver Psicologia, Ano I, no 2, págs. 24-27, 1992.