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Depressão Pós-Parto - Entrevista (Una Mamma Green)

Post traduzido por mim. Post original, em italiano, aqui no blog Una Mamma Green, de Silvana Santo.

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Valentina Colmi é jornalista e blogueira, e mãe de Paola e Vittoria. O nome da segunda não foi escolhido aleatoriamente, mas para celebrar a libertação de sua mãe da depressão pós-parto, que tinha quase se instalado após o nascimento de sua primeira filha.

Valentina escreve sobre a depressão perinatal em seu site Post-partum.it (…). Eu a entrevistei pois sua história, de muitas maneiras, é a história de muitos. E porque adoro histórias com finais felizes!

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O que você gostaria que sua família tivesse feito quando você teve depressão pós-parto e não aconteceu?
Na verdade, quando eu estava doente eu tinha o apoio da única pessoa que, naquela época, estava vivendo comigo todo o drama - meu marido. Posso dizer que tive muita sorte, pois ele nunca reagiu negativamente quando eu estava mal, na verdade ele me consolou e, acima de tudo, ele sempre esteve lá para mim. A minha família - quero dizer, meus pais - provavelmente não souberam imediatamente que era algo mais do que apenas tristeza, e eles me diziam o tempo todo para eu voltar ao normal. Eu acho que queria ter sido levada mais a sério.

Como você descobriu que você precisava de ajuda, e como você pediu?
Três meses após o nascimento de Paola, a sensação de angústia que eu sentia não se atenuava. Na verdade, ficou agarrada… eu sempre me sentia irritada, ansiosa, presa. É por isso que decidi pedir ajuda. Encontrei na web o contato do Hospital Niguarda: Eu liguei e marquei uma sessão. Uma das melhores decisões que eu poderia ter tomado!

Alguns comentários, silêncios ou comportamentos de outras pessoas agravaram seu quadro depressivo?
Não, até porque apenas meu marido sabia, de início. Eu precisava viver essa jornada sozinha, sem olhares preocupados. Aos meus pais, eu disse apenas que estava fazendo terapia.

Em seu livro parece que você sentia um pouco de raiva devido à falta de atenção que se dá à depressão pós-parto. O que, em particular, você acha que deve ser feito no plano social e da saúde para prevenir e tratá-la?
Você disse bem. Eu ainda tenho muita raiva pelo que aconteceu comigo, porque para mim Paola não existiu por cinco meses e esse tempo nunca poderá ser recuperado. Apesar de avisarem que isso poderia acontecer; no pré-natal a maternidade é pintada como o mais belo momento da vida. Acham que a consulta com um psicólogo é opcional! Eu não comparecia porque eu acreditava, com muita superficialidade, que comigo não iria acontecer nada, que eu nunca teria depressão pós-parto. Então acho que deve haver mais educação e prevenção (…), e as futuras mães não devem se esconder atrás de frases como “é um momento feliz, eu não quero ouvir notícias negativas” porque assim é muito pior. (…)

Quando eu estava esperando meu primeiro filho, vivi um período de profunda angústia e insegurança, que deixou uma ferida com a qual ainda luto. A depressão pode acontecer também antes do parto? Por que ninguém nunca fala sobre isso?
Claro, a depressão também pode acontecer antes do parto e é chamada de depressão pré-parto. Tem mais ou menos os mesmos sintomas de que a pós-parto: ansiedade, sentimento de fracasso, e acima de tudo sentimentos ambivalentes pelo feto. Muitas vezes as grávidas tendem a reprimir esses sentimentos, talvez por causa da culpa. Contudo, é importante saber que a ambivalência - quando saudável - permite que você construa um relacionamento sincero e profundo com seu filho. Não se pode falar sobre isso porque como vamos quebrar o clichê de que ser mãe é um estado de graça?

O que você diria a uma mãe que não se sente feliz como todos dizem que ela deveria se sentir?
Primeiramente, que ela é muito corajosa de admitir isso, e que ela faz muito bem em falar sobre isso. E que ela não deve ter medo de falar sobre isso … primeiro com as pessoas que gostam dela, e depois com um terapeuta.

E para uma menina que está prestes a virar mãe?
Eu diria apenas uma coisa: Antes de ser mãe você é uma pessoa, mesmo que depois de dar à luz você comece a ser conhecida como “a mãe”, e não mais pelo seu nome. (…)

Como alguém sabe que tem depressão pós-parto?
Infelizmente, os sintomas são muitas variáveis e, por isso, é difícil ter um bom diagnóstico. Podem ir de causas orgânicas (por exemplo, um parto ruim) à psicológicas (como o relacionamento com sua mãe), situação econômica, estar sem companheiro. Os sintomas geralmente são ansiedade repentina, choro, cansaço, excesso ou falta de sono, falta ou excesso de apetite, perda de interesse na vida, até chegar a pensamentos de morte. (…)

Como você está hoje?
Acabei a psicoterapia e devo dizer que estou bem. Estou muito cansada, porque as minhas filhas são muito exigentes, mas eu faria de novo tudo o que me trouxe aqui, incluindo depressão pós-parto.