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Uma carta aberta a todas as Crianças.

mar 13

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Oi crianças, Podemos conversar?

Eu acho que tem algumas coisas que podem ser úteis para vocês ouvirem de alguém que não seja seu pai ou sua mãe.

Então, vamos lá. Eu não estou brava, e você não está encrencado. É só que eu acho que não estamos nos comunicando tão bem como deveríamos. Você está crescendo e eu estou feliz por isso! (…) Adoro ver você se tornando mais independente, mais consciente do mundo a sua volta.
A questão é que junto com toda a sua independência – com as novas palavras que você está aprendendo, com todas as coisas que você pensa saber – tem uma coisa que você precisa prestar atenção: seus pais também são pessoas.

Sei que isso pode soar estranho. “Eles não são pessoas! São pais! Pessoas e Pais são espécies totalmente diferentes”. Eu sei, eu sei – as coisas parecem assim. Mas não é assim. Não mesmo!

Mesmo não sendo sua mãe, eu sou mãe, e posso te dizer que eu sou, sim, uma pessoa. Eu tenho sentimentos que ficam confusos às vezes, assim como você. (…) Existem coisas que eu quero fazer e coisas que eu não quero fazer, como você. Mas a diferença é que eu faço muitas coisas que eu não quero fazer e, geralmente, eu faço sem chorar ou reclamar (eu disse geralmente – porque às vezes eu reclamo!). A questão é que eu acho que você está ficando grande o suficiente para entender melhor sobre o que significa viver como membro de uma família, de conviver com pessoas, em vez de “viver com” pessoas.

Viver com pessoas é simplesmente fazer suas coisas enquanto as outras pessoas com quem você vive fazem as delas. (…) Viver com pessoas é uma coisa muito casual. Não há muita conexão. Conviver com as pessoas é outra coisa totalmente diferente. Conviver com as pessoas – que é o que você faz com a sua família – requer mais trabalho. Mas a recompensa é muito maior, então não se preocupe. Quando você convive com pessoas você leva em conta as necessidades delas. Você percebe como suas ações podem afeta-las. Em vez de sair gritando porque está frustrado porque tem que fazer lição de casa, por exemplo, você para por um segundo. Você tenta implementar alguma técnica que aprendeu com seus pais – quem sabe respirar profundamente, ou ficar sozinho por uns minutos em seu quarto – e você pensa sobre como as outras pessoas da casa se sentirão se você sair gritando.

Você percebe onde quero chegar? Conviver com as pessoas exige um pouco mais de você. Você precisa pensar nas outras pessoas, e sim, inclusive nos seus pais! (Porque ainda é verdade – eles são pessoas também!). Seus pais não gostam de ouvir gritos. Eles podem tolerar isso, por vezes, porque eles entendem que você está ainda descobrindo o mundo.
(…)

Nós amamos vocês. Nós amamos vocês enlouquecidamente. Nós amamos tanto vocês que isso as vezes nos mantem acordados a noite toda. Por isso que eu quis escrever essa carta. Nós amamos vocês e queremos continuar convivendo da forma mais prazerosa possível. (…)

Muito obrigada pela por lerem essa carta, crianças. Desejo-lhes uma vida cheia de respeito, consideração e diversão!

Até a próxima, Emily.

:: Texto original em inglês, escrito por Emily Ballard
:: Tradução livre por Maria Cecília Mattos.