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A história de Izabel e Francisco

Meu nome é Izabel Martins, tenho 31 anos recém completados, sou casada há quase 10 anos com o Mauro Sérgio de 42 anos. Conheci meu marido de uma forma mágica, digna de história de um filme de romance, noivamos e nos casamos em 5 meses, e o que parecia sonho se tornou um pesadelo.

Nos primeiros meses de casados ele me confessou que não poderia ter filhos, apesar de já ser pai. Havia feito uma vasectomia aos 29 anos de idade. O mundo parecia ter desabado na minha cabeça, não tinha mais certeza se poderia manter aquele relacionamento, abrir mão de um sonho… não rendia mais no trabalho, andava depressiva, pois achava que não haveria jeito…

Como a base de tudo era a informação resolvi pesquisar sobre o assunto e descobri histórias de sucesso mesmo após a vasectomia, enfim uma luz… Passado o baque da notícia e com a cabeça mais fria eu e meu esposo resolvemos pesquisar sobre o tratamento e marcamos consulta na primeira clínica que nos foi recomendada. O tratamento seria caro, mas já nos imaginávamos felizes com nossos filho(a) nos braços, então nada mais ali nos importava.

Após muitas consultas, exames, medicações e muito, muito dinheiro, nos deparávamos com o primeiro negativo que, até então, não nos tinha sido informado sobre o risco. Mas, persistentes, prosseguimos para mais uma tentativa, também negativa, e foi aí que começamos a longa batalha!

O lado financeiro já não estava dos melhores, mas estávamos dispostos a realizar aquele sonho. Tentamos a reversão da vasectomia, após 2 anos de monitoramento, veio a confirmação de que não havia dado certo. Nova fertilização, resultado indeterminado prosseguindo para negativo… Abri mão do emprego, abrimos mão de bens adquiridos até ali, fizemos mais três tratamentos consecutivos… o negativo nos perseguia. Até então havíamos feito 7 tratamentos sem sucesso.

Nos encontrávamos cansados, desiludidos, endividados, e nos perguntamos será que valeria a pena? SIM… o que não valeria a pena era sofrer por algo que desistimos. Tiramos um tempo para nos recompor, nos estabilizar e nos preparar. Novamente, era hora de enfrentar a rotina de exames, viagens, medicações, porém daquela vez parecia diferente, estávamos serenos, confiantes… mas com o pé no chão. Me entreguei na fé e me preparei, e fui surpreendida com a ótima resposta que tivemos naquele tratamento.

Apesar de parecer tudo maravilhoso, eu enfrentava ali a Hiperestimulação ovariana, que é a resposta exagerada à indudores de ovulação, repouso, medicações e me recuperei, transferimos 2 embriões naquele ciclo, e graças a Deus recebemos, então, o tão esperado POSITIVO!!!! Tudo era divino e comemorado, queria sentir enjoos, desejos, sono… mas a gravidez parecia tão tranquila que nem os sintomas típicos eu sentia.

Passada a euforia, os primeiros exames mostraram que eu tinha placenta prévia, nada preocupante até então, apenas certos cuidados. A placenta normalizou, porém descobrimos a incisura bilateral das artérias uterinas, que é a pressão alta do sangue que corre do corpo da mãe para o feto na placenta. Mas com exames de rotina não teria o que temer, já que a minha sáude estava ok em relação a pressão. Mas, ao comparecer a uma consulta de rotina, fui surpreendiada com a notícia: O bebê teria que nascer o mais rápido possível!!! Meu mundo caiu… como assim? Eu estava apenas na trigésima semana de gestação, o quartinho não estava pronto, o enxoval, o chá de bebê que sequer havia sido marcado, e minha gestação iria terminar alí? Ficamos anestesiados, eu só sabia chorar no ombro de minha mãe, ao telefone com uma amiga.

A indicação para a interrupção da gravidez era porque o feto estava muito abaixo do peso, o que significava que ele não estava recebendo os nutrientes necessários, e estava em sofrimento fetal. Fui preparada para o luto, ouvia os médico me falarem da extrema prematuridade do meu bebê e dos riscos que teria o parto tão prematuro, das possíveis sequelas, cada palavra era uma facada no peito… como poderia uma gravidez tão esperada terminar assim? Fui internada e comecei a receber doses de corticóides para amadurecimento do pulmãozinho tão prematuro.

No início do terceiro dia de internação fui conduzida ao bloco cirúrgico, meu marido que estava a trabalho fora da cidade ainda não havia chegado, tive então a companhia de minha mãe. As lágrimas deram lugar à esperança, eu só pensava na vida do meu bebê, e aquele momento que havia sido planejado com fotos e sorrisos era mera lembrança, lá estava eu na mesa de parto segurando a mão de minha mãe que apenas rezava, rezava, rezava…

Às onze horas e dez minutos do dia quinze de novembro de dois mil e doze nascia o meu sonho; Francisco veio ao mundo com um quilo (1kg), e 37 centímetros. Deu um choro que hoje ao fechar os olhos posso ouvir nítidamente, o som que medeu força naquele momento. Foi entubado rapidamente, havia 3 circulares do cordão no pescoço dele e só pude vê-lo no segundo dia. Tão pequeno, tão frágil e mesmo tentando segurar, minhas lágrimas caiam toda vez que eu me debruçava na encubadora para vê-lo.

Em 45 dias de internação na UTI, o sobrenome do meu filho era superação – cada grama de peso ganho, cada respiaração que ele conseguia dar sem a ajuda dos aparelhos, cada ml de leite que ele conseguia digerir. Jamais me esquecerei da primeira vez que o peguei no colo, que o amamentei no seio.

Hoje Francisco tem um ano e oito meses, é um menino saudável, esperto e sem qualquer sequela, fala, anda, corre, brinca. Olhando para trás só posso agradecer a Deus pelo caminho de pedras que ele me fez passar para que agora eu possa descansar nas nuvens. Tudo valeu a pena, não há dinheiro ou qualquer bem que pague a realização deste sonho, não há nada que pague ver a superação de alguém que mesmo tão pequenino luta e vence as próprias barreiras. Deus é perfeito, a MATERNIDADE é o dom mais sublime e divino que existe na face da terra. Hoje sou a mãe, sou a mulher, sou a pessoa mais feliz do mundo.

Ser feliz independe de riqueza material, ser feliz é buscar a realização dos próprios sonhos, é tentar sempre!!!!

Francisco
Francisco

One thought on “A história de Izabel e Francisco

  1. Sua história é emocionante Bebel! Que sirva de força para aquelas que tentam realizar seus sonhos e se sentem fracas e inseguras devido às dificuldades da luta.

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