Armelinda passará o Dia das Mães junto da filha Laysa, na UTI há mais de um ano
maio 10
Laysa, bebê de Armelinda Andrade, nasceu com apenas 630 gramas e está hospitalizada desde seu nascimento.
Laysa nasceu com apenas 630 gramas. Há quase 15 meses ela luta bravamente pela vida dentro da UTI Neonatal do Hospital e Maternidade Santa Joana, em São Paulo. Devido a complicações variadas no nascimento, muito prematuro, já foi submetida a 12 operações. Mesmo em meio a prognósticos pouco animadores, ela resistiu a tudo e começou a ganhar peso, até atingir a marca atual de 10kg, um pouco acima da faixa das crianças de sua idade.
A pequena e risonha guerreira é acompanhada de perto diariamente pela mãe, a vendedora Armelinda Andrade do Nascimento, de 34 anos. “A minha vida é a Laysa. Ela me ensinou o verdadeiro significado do amor de mãe.” Neste domingo (10), as duas vão celebrar seu segundo Dia das Mães dentro do hospital. “Meu presente é ela estar viva”, afirma Armelinda.
Hoje, a mãe vai religiosamente todos os dias à UTI, onde chega a ficar cerca de dez horas. “Nunca amamentei ou dei banho”, lamenta. Só quando a bebê completou 2 meses ela pôde pegá-la pela primeira vez no colo — e por apenas cinco minutos. “Foi o dia mais maravilhoso e tenso da minha vida”, lembra. “Era uma criança pequena e frágil, e cercada por muitos fios. Fiquei com medo de machucá-la ou desligar algum equipamento.”
Armelinda nunca escutou a voz da filha. Nos primeiros meses, Laysa, assim como outros prematuros, não tinha força sequer para chorar. Com as seguidas intubações, ainda não aprendeu a falar. Nos dias em que vê crianças brincando na rua, a mãe procura afastar os pensamentos da comparação inevitável. “Passa pela cabeça essa coisa de ‘porque foi diferente com a gente’, sabe? Mas sei que o importante é que ela está viva.”
Agora, se tudo correr bem, Laysa tem chances de sair do Santa Joana em algumas semanas. “Vai ser a realização de um sonho poder passar a primeira noite com a minha filha”, emociona-se Armelinda.



