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Pré-natal e parto na Irlanda – Depoimento

Depoimento da Tatiana, mamãe do Billy.

Tatiana grávida
Tatiana grávida

Eu engravidei na Irlanda, onde também tive meu bebê, e tive uma experiência incrível de pré-natal e parto.

Eu suspeitei que estava grávida, fiz um teste de farmácia que deu positivo e foi aí que fui descobrir o que precisava fazer. Conversei com algumas amigas que tinham filhos e logo de cara percebi que na Irlanda, ao contrário do Brasil, o parto normal/natural era o preferido e o mais procurado.

As maternidades são públicas, e você deve ir à maternidade designada para a área onde mora. Você se “inscreve” na maternidade e escolhe acompanhamento com parteira ou médico. Eu não entendi isso, e acabei iniciando o acompanhamento com um médico. A consulta foi terrível! Durou 5 minutos, durante os quais o médico ouviu o coração do bebê e disse pra eu controlar o peso. Saí da consulta chorando, uma enfermeira veio conversar comigo e me passou para o atendimento com parteira. Voltei depois de 2 semanas para a consulta seguinte e amei. A parteira me deixou ouvir o coração do bebê, fez várias perguntas, conversou, explicou muita coisa, e daí para a frente foi uma maravilha. O primeiro exame de fato é o ultrassom morfológico, que é feito somente após 12 semanas completas de gestação, pois o aborto é ilegal na Irlanda.

Da 12ª semana até a 36ª semanas, temos consulta a cada duas semanas com a parteira. Nas consultas ela checa o açúcar na urina, verifica pressão e peso da mãe, ouve o coração do bebê, apalpa a barriga e conversa. Nesse tempo, a mãe pode preparar um “plano de parto”, onde ela indica todas as suas preferências, como: não quer anestesia, não quer episiotomia, cesárea somente em risco para o bebê, quer música, quer parto de cócoras etc. Esse plano de parto é feito em 2 cópias: uma é entregue à maternidade, e uma fica com a mãe, que o leva no dia do parto.

A partir da 36ª semana, as consultas são semanais se tudo estiver OK. O parto é esperado para a 38ª semana de gestação. Na 37ª semana, Billy encaixou e teoricamente tudo estava caminhando para o parto a uma semana. Mas chegamos na 38ª semana e: nada. Nenhuma contração, nenhum sinal. As consultas passam a ser a cada 3 dias daí em diante, e na Irlanda espera-se até a 42ª semana de gestação antes de interferir.

Vimos chegar e passar as 39ª, 40ª e 41ª semanas e: nada. Na consulta da semana 41, a parteira teve “a conversa” comigo. Talvez eu precisasse passar ter uma cesárea. Eu realmente não queria uma cesárea. Eu não me dou bem com remédios, anestesia, e tinha medo de como seria. Nessa consulta, a parteira estimulou o colo do útero, um procedimento doloroso onde ela pressiona o o colo do útero com os dedos, na intenção de iniciar a dilatação.

Três dias depois: nada. A parteira novamente falou sobre cesárea. Saí da consulta muito triste. Como eu também estava fazendo acompanhamento com minha homeopata durante toda a gestação, liguei para ela nesse dia, chorando. Ela me receitou um remédio que estimularia o trabalho de parto se, e somente se, o colo do útero estivesse realmente pronto para o parto. O remédio era em três doses, a serem tomadas uma na mesma noite da conversa, uma na manhã seguinte e uma na noite seguinte. E aí nada mais poderia ser feito.

Tomei a primeira dose e acordei na manhã seguinte com a sensação de estar molhada. Levantei da cama para descobrir que minha bolsa tinha estourado e foi como nos filmes: uma cachoeira que alagou o quarto! Fui direto para o hospital, onde fiquei monitorada por 1 hora. Como eu ainda tinha muito líquido e o bebê estava bem, me mandaram de volta para a casa. Mas somente é permitido permanecer 24 horas com a bolsa estourada, portanto agendaram minha internação para a manhã seguinte. Se o parto não iniciasse, eles induziriam (que é usar a oxicitocina para estimular dilatação e contrações).

Fui para a casa, passei o dia bem, tomei o remédio homeopático e esperei. Acordei 4h com contrações, leves e espaçadas, e fomos novamente para a maternidade. Fui internada às 9h da manhã de 24 de julho de 2010. Eu tive dilatação, mas após 2 horas ela chegou a apenas 5 cm, e a parteira decidiu induzir o parto. O soro com oxicitocina foi colocado por volta das 11h. Às 11h30 eu tinha tanta dor e contrações tão fortes, que pedi um analgésico. O pai do Billy havia sido treinado no kit homeopático de parto e ministrou 2 remédios entre esse momento e a dilatação completa. Por volta de 13h eu já tinha dilatação completa. O parto começou a ser preparado, e Billy nasceu às 14h15 do mesmo dia. O parto foi natural, sem nenhum anestésico ou gás e sem episiotomia, e eu me lembro de todo o parto ativo.

Quando a criança nasce, antes mesmo de cortarem o cordão umbilical, ela é colocada no peito da mãe para um abraço e contato, e eu jamais esquecerei este momento. Billy não chorou, fazia apenas um som parecido com “é”, estava calmo, e eu também.

A criança não é limpa pelas enfermeiras, que apenas a vestem enquanto uma ginecologista vê se algum cuidado é necessário com a mãe. Feito isso, mãe e criança vão para o quarto. O bebê fica no quarto com a mãe, em um bercinho ao lado da cama, e em nenhum momento mãe e bebê são separados. A mãe pode pedir separação, se quiser por exemplo dormir ou descansar, mas isso é exceção. Geralmente ficam apenas uma noite no hospital, mas como eu tive reação à oxicitocina e ao antibiótico tomados, fiquei em observação por 2 noites.

(Nota: Eu cogitei ter parto em casa, na água, mas desde o início da gestação fui desaconselhada pelas parteiras porque esperavam um bebê grande, e isso pode gerar complicações. Realmente, Billy nasceu com 4,250 kg e duas parteiras atenderam o parto, uma precaução da maternidade para bebês muito grandes não correrem risco de “escorregar” (MEDO!) das mãos da parteira. Como também precisei de indução, em casa eu teria muito provavelmente tido um parto bem longo (tenho amigas que ficaram mais de 24h em trabalho de parto) ou então teria ido às pressas para a maternidade. Acredito que fiz a escolha certa, mas não descarto a possibilidade de um parto em casa no futuro.)

3 thoughts on “Pré-natal e parto na Irlanda – Depoimento

  1. Olá, sei que o post é um pouco antigo, mas eu e minha esposa descobrimos hoje que estamos grávidos e me surgiu a dúvida do que fazer agora, de que procedimentos tomamos, aonde podemos recorrer por consultas e etc. Gostaria de saber se você pode nos ajudar a saber a quem recorrer por aqui e, se você tem alguma ideia de por sermos estudantes se nosso bebe pode ter um visto para permanecer na Irlanda conosco. Eu sei que ele terá nacionalidade Brasileira, mas nao sei se ele precisaria de algum tipo de vista e etc. Muito obrigado 🙂

    1. Olá Israel, esse post foi escrito por uma leitora. Eu (autora do blog) já pedi ajuda a ela, e em breve ela responderá seu comentário! Parabéns pela gravidez! 🙂 Maria Cecília

    2. Olá.
      O primeiro passo é procurar um ginecologista pra fazer o acompanhamento, ou ir diretamente ao hospital que atende a área da cidade onde você reside.
      Quando seu filho nascer, você terá que registrar no Aliens office e também fazer a certidão de nascimento dele na Irlanda. Ele será irlandês. E vocês também terão que registrá-lo no consulado brasileiro.
      Se tiver qualquer duvida, pode me mandar email tatyguedes @ gmail.com

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