Fala, papai! Especial Dia dos Pais - João
ago 08
“Sabe, desde sempre tive vontade de ser Pai. Em parte, acho que por ter vivido um relacionamento bem próximo com o meu Pai; mas também por sentir falta desse relacionamento por mais tempo, pois meu Pai deixou o plano físico quando eu tinha 17 anos. Eu sentia no íntimo que precisava compartilhar este amor que me “sobrava”, mas nunca tive com quem conversar sobre isso. Alguém que me alertasse dos medos que surgiriam desde o momento em que, junto com minha esposa, decidíssemos gerar um bebê, e que eu precisaria “guardar” esse medo dentro de mim para confortar a futura mamãe nos momentos difíceis, que minhas preocupações e minha carga de trabalho aumentariam desde o “Positivo”, mas junto aumentaria minha alegria. Que eu poderia sentir dores cortantes no peito que fariam chorar escondido no banheiro, mas em contrapartida eu cresceria como nunca. Eu gostaria que alguém tivesse me avisado que no momento em que visse aqueles dois risquinhos no palitinho plástico, eu teria vontade de virar um super-herói e criar um campo de força que protegesse a mamãe e aquele “feijãozinho” de todo mal, dor e preocupações que pudessem atingi-los, pois ali eles já seriam as coisas mais importantes da minha vida. Eu queria tanto estar preparado e já ter todas as respostas quando ouvisse aquele coraçãozinho bater no Ultrassom; mas não estava.
AINDA BEM! Ainda bem que não me avisaram, que não me disseram como seria, que problemas eu enfrentaria e que dores eu sentiria. Porque mesmo que tentassem, não conseguiriam atingir a intensidade do Amor que a Tereza gera em mim. Um Amor que me dá forças para enfrentar, segurança para decidir, sabedoria para ouvir e para ignorar quando necessário. Mas que, ao mesmo tempo, me faz ter medo até de atravessar a rua, me desconcentra do trabalho pensando em chegar em casa logo, me faz lembrar o dia inteiro daquele rostinho… Ninguém poderia ter me explicado como é bom ver aquele “sorrisinho banguelo”, quando abro a porta e quando Ela me vê logo que acorda. Como é gostoso e gratificante deixar de fazer coisas que eu gosto, só pra sentir o toque dela no meu rosto ou no meu cabelo. Como é maravilhoso pegá-la no colo e abraçá-la como primeira atividade da manhã, e como nada mais faz sentido se não for para ter estes prazeres junto com Ela.
Hoje eu sei o quão intenso é ser Pai, e quanto Amor ser Pai nos gera. Aliás, hoje eu sei o que é de verdade Amar, e agora entendo que aquele Amor que eu achava estar “sobrando” dentro de mim, na verdade eu estava cultivando para o momento certo de ele florescer.
Se é que isto é possível, deixo um conselho aos futuros Papais: todas as respostas estão dentro de vocês; só depende do que cada um está cultivando. Cultive o Amor, e feliz paternidade.”

João e Tereza


