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UTI Neonatal – Depoimento Mirian & Patrícia

Venho de uma família grande, e meu esposo também. Desde a gestação de minha cunhada, quando ela descobriu que teria uma menina (a primeira que nasceria na família do meu marido), meu esposo se apaixonou pela neném e sempre me falava: “amor, vamos ter nosso bebê, nossa menina??”. Eu sempre fugia dessa responsabilidade, pois tinha medo, tinha pavor! Alguns anos antes de me casar com ele, eu havia perdido uma gestação de outro relacionamento, e me dava pânico pensar em ter outra perda.

Fui enrolando ele até a nossa sobrinha e afilhada, Vitória, nascer. Quando ela nasceu não deu mais pra fugir! Quando meu esposo a pegou no colo, foi amor de primeira. Com o decorrer dos dias, vi que meu esposo estava ficando cada dia mais estranho, mais calado, menos sorridente, e isso estava me preocupando. Descobri que ele queria tanto um bebê que estava ficando doente! E eu não queria engravidar pois estávamos construindo e morávamos de aluguel ainda. Mas eu estava vendo que ele já não era o mesmo. Conversamos sério e entramos num acordo.

Fui no médico e ele me explicou tudo e mais um pouco, devido a perda anterior, e os anos tomando anticoncepcional. Minhas chances de engravidar eram boas! Então, comecei a tomar as vitaminas… mas, quando deu o 1º dia do mês para vir minha mestruação, ela não veio! A minha mestruação era certinha, aí fiquei preocupada. Eu, que sou toda certinha, comecei a “pirar”. Comentei com meu esposo e ele sugeriu que eu esperasse uma semana pra fazer o teste. Mas esperei apenas 2 dias… e meu positivo veio!! Minha reação foi de choque e felicidade! Eu não esperava assim tão rápido. Liguei para meu esposo contando a novidade… de primeira ele começou a rir e depois começou a chorar! Aí ele começou a falar “está vindo nossa menininha”… aquilo partia meu coração, pois ele tinha tanta expectativa de ser uma menina, que ele nem pensava se viria um menino…

Os meses foram se passando e meu marido ia comigo a todas as consultas. No dia em que fomos saber o sexo, não deu, pois ela estava com as perninhas fechadas! Remarcamos outra consulta e fomos lá para vê-la. Para minha surpresa, realmente era uma menina! Ao me virar vi meu esposo aos prantos de tanta alegria!

No sexto mês de gestação comecei a ter pressão alta, e me encaminharam para a maternidade para fazer o acompanhamento de alto risco. Não me preocupava, pois estava indo bem, e não sentia nada de errado comigo. Mas a pressão não abaixava. No sétimo mês, minha médica me disse que eu estava com a pressão muito alta, e deveria me internar para monitorá-la. Fiz a entrada na maternidade, fui conhecer o setor de alto risco, onde seria internada. Fui pro quarto, jantei, descansei e logo em seguida eu teria o curso de gestante a maternidade oferecia. Mas antes, uma enfermeira, um anjo, me levou para fazer um exame para saber como estava minha bebê. Eu não sabia que ali começaria nossa luta.

O médico veio me cumprimentando e fazendo perguntas, mas com a maior calma e gentileza – ele via que eu estava com medo, pois meu esposo ainda não havia chegado. Mas o médico de repente parou de falar, e focou na minha neném… me olhou sério e falou: “maezinha, temos um problema. sua neném não está mais se alimentando e crescendo. ela está começando a ter sofrimento fetal, pois você está com pré-eclampsia. devido a sua pressão alta, não tem mais do que 50% de líquido aminiótico. temos que tirar ela o quanto antes”. Nossa… meu mundo desabou, fui pro quarto chorando… não sabia o que fazer. Conversei com uma enfermeira muito especial que me acalmou, e eu perguntei se ela podia ir comigo para converssar com meu esposo, que estava me esperando na sala do curso, para explicar para ele. Quando o vi caí no choro e contei a ele. Ele com os olhos cheios de lágrimas me acalmou e falou que estava ao meu lado para me apoiar em tudo. Nós nem ficamos no curso, pois o médico estava nos procurando para nos orientar do que iria acontecer a partir daquela hora. A cesária foi marcada pra manhã seguinte. Às 14:55, do dia 18-4-2013, viria ao mundo nossa guerreira, nossa vida, nossa Patricia Gloria de Castro.

Antes dela nascer a médica veio nos explicar todo o procedimento. Quando ela chorou, foi o chorinho mais lindo que eu ouvi na vida. Meu esposo ficou bobo e me falou “Mirian nossa filha nasceu e é linda”. Aí caí no choro! Eles a levaram pra UTI NEO e meu esposo foi junto e não desgrudou dela por nada desse mundo! A noite, ele veio cheio de alegria me mostrar as fotos dela! Linda, muito linda! Só pude vê-la no dia seguinte… foi uma sensação de alegria e medo. Medo de não saber o que viria, medo de um lugar até então desconhecido. Mas a alegria de saber que eu iria finalmente vê-la! Depois de lavar as mãos e colocar avental… que sensação horrível de entrar num lugar e ver seu neném com aparelhos e sensores! Os dias foram passando, e a cada dia ela lutando para viver. O primeiro Canguru foi com 2 dias de vida – foi uma sensação maravilhosa de te-la em meus braços, pequenina, mas cheia de garra para lutar pela vida. N’outro dia, foi o papai que a pegou no colo!

Foram 57 dias naquela Maternidade, foram 40 dias na UTI NEO, e 17 dias no Projeto Canguru. O dia mais maravilhoso foi o dia da alta dela… nossa! como chorei de alegria!

Maezinhas não desistam de suas vitórias. Sei que é difícil ver seu bebê numa UTI NEO, mas Deus sabe o que faz!! Contem comigo sempre!

Bjs Mamãe Mirian, Papai Adenilson e Neném Patricia!!!

Mirian e Patrícia
Mirian e Patrícia

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