“Nosso filho é o adulto de amanhã”

nov 17

©KidStock

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“Eu admiro quem sabe e assume que não quer ter filhos. Filhos não são para calouros, egocêntricos, imaturos, bipolares, workaholics, maníacos e toda sorte de “alterações psicológicas” que encontramos por aí e por aqui. Um pouco em cada um de nós, infelizmente.

Filhos pequenos, bebês, dão trabalho sim, mas arrisco a dizer que sinto saudades dessa época do trabalho físico. Trocar fraldas, dar banho, dar de mamar, papinhas, noites perdidas, preocupações sobre se é o momento certo de andar, falar, escrever.

Arrisco também dizer que essa fase só nos exige por em prática nosso instinto maternal. Eles crescem e se desenvolvem independente se demos o bico certo da mamadeira ou se fizemos o processo de desfralde corretamente. Fato é: eles crescem.

É nessa hora que, se não nos tornamos adultos de verdade, todo o nosso esforço foi em vão. Nos tempos que vivemos, ter filhos nos exige o máximo de ética moral e civil.

Não dá para criar mais gente mais ou menos. O mundo precisa de humanos por inteiros, íntegros e verdadeiros e essa responsabilidade está completamente na mão de quem tem filhos. Não dá mais para brincar com a humanidade.

Que custa dinheiro sabemos bem, mas custa algo mais precioso. Custa tempo, paciência, compaixão, jogo de cintura, conversas, exemplos (e mais exemplos), dedicação e abdicação. Não dá para continuar sendo a mesma pessoa de sempre se você tem filhos. Simplesmente não dá e ponto. Saiba disso.

É sim o melhor e maior sentimento do mundo. É uma delicia se sentir engrandecido pelo olhar de entrega das crianças. É uma das melhores coisas da vida, não há igual. Mas por favor não coloquemos mais crianças no mundo apenas para brincarmos de casinha. Nosso filho hoje é o adulto de amanhã. Nossos filhos são a sociedade de amanhã. Por favor, vamos ter o carinho e a dedicação que essa tarefa exige.

Escrevo esse desabafo depois de ter uma longa conversa com duas pré-adolescentes sobre respeito ao espaço do outro, sobre o direito ao corpo da mulher, sobre uma sociedade machista, sobre amizades, sobre paciência e compreensão das diferenças e tanto outros assuntos que eu nunca imaginei ter de tratar mas que é necessário, realmente necessário.”

Thais é mãe das gêmeas Lu e Gi, de 11 anos.