Crianças agressivas - O que realmente está acontecendo e como ajudar?
Pais preocupam-se muito ao notar comportamentos agressivos em seus filhos. Uma das coisas mais importantes para se lembrar sobre comportamento é que ele nos dá informações sobre o desenvolvimento emocional do nosso filho. Ele nos dá pistas de onde nosso apoio está sendo mais necessário. Quando vemos um comportamento inadequado, estamos observando uma evidente frustração.

Quando uma criança encontra um evento que considera frustrante, a primeira coisa que seu cérebro quer fazer é tentar mudar a situação. Por exemplo, você disse “não” quando ela pediu mais um biscoito. A criança, que realmente quer outro biscoito, se sente na necessidade de te fazer mudar de ideia. Ela sabe o que quer, e é levada a busca-lo. Isso não deveria nos surpreender… mas surpreende! O cérebro da criança fixou-se na ideia de conseguir mais um biscoito, e qualquer coisa ou pessoa que impedir isso, vai alimentar sua frustração. A expressão externa dessa frustração provavelmente será um comportamento destemperado e agressivo, especialmente em uma criança imatura.
Se você tem mais de um filho já deve ter percebido que, quando confrontadas com limites e restrições, nem todas as crianças reagem da mesma maneira. Algumas caem no choro rapidamente enquanto outras parecem resistir sentir à tristeza, e então a frustração irrompe em comportamentos agressivos - tais como bater, chutar, morder, cuspir, gritar, etc.
Mais frequentemente do que percebemos, nós inadvertidamente incentivamos a agressão de nossos filhos ao impedirmos que eles chorem. Uma das razões mais comuns para tentarmos impedir as lágrimas é por causa de como elas mexem conosco, os pais! Nos sentimos tristes, culpados ou até mesmo frustrados pelas lágrimas das crianças e por isso tentamos fazê-las parar de chorar tão rapidamente quanto possível! Cada vez que fazemos isso, impedimos a criança de sentir tristeza sobre aquilo que não pode mudar.
Como pais, precisamos reconhecer e valorizar o propósito das lágrimas. Poucas pessoas percebem que as lágrimas de tristeza sinalizam um processo de adaptação que está acontecendo no cérebro. A criança que pode sentir tristeza sobre algo que não pode mudar está sendo modificada pela experiência. É aí que reside a receita para o crescimento de crianças em adultos resilientes. A cada oportunidade de sentir a tristeza, ao mesmo tempo em que é confortada, uma camada de resiliência é formada. Como pais, podemos ajudar a criança a fazer isso.
O comportamento agressivo é uma resposta à frustração, e a criança é levada a agir baseada em como se sente. Ela responde ao que não está funcionando. As crianças pequenas não tem desenvolvida a “integração cerebral”, e é por isso que dizem o que pensam e se comportam baseadas em como se sentem. Elas ainda não têm a capacidade de pensar duas vezes, ou de considerar as consequências do seu comportamento. Então… como ajudamos nossas crianças quando estão sendo agressivas? Em primeiro lugar, devemos reconhecer sua agressividade como frustração. Não é maldade, é frustração! - “Eu posso ver que você está se sentindo muito frustrado porque seu irmão tirou o seu brinquedo.”; “Eu tenho certeza que você está se sentindo frustrado comigo por não te dar mais um biscoito.” - Reconhecer a frustração da criança não lhe dá permissão para agir agressivamente, mais a ajuda a nomear e reconhecer seus sentimentos… e isso é uma habilidade realmente crucial a ser desenvolvida quando estamos crescendo. A frustração é uma emoção que precisa ser expressada. Nós, adultos, devemos prover suporte e estrutura para a criança expressar sua frustração de forma assertiva.
Embora seja natural e compreensível que o nosso próprio nível de frustração aumente à medida que lidamos com a frustração das crianças, cabe a nós manter o equilíbrio. Entender o que está acontecendo emocionalmente conosco é apenas o começo. Nem sempre é fácil agir como um adulto! Tentar ensinar uma lição no momento da crise não é muito produtivo, porque os adultos e as crianças estão se sentindo emocionalmente abalados. Ninguém absorve informação quando está num estado alarmado. O trabalho do adulto tem melhor resultado se feito após o incidente, quando todos já estamos mais calmos - quando eles estarão prontos para ouvir nossas palavras e compreender os nossos valores e expectativas.
O sistema emocional dos adultos funciona como o das crianças. Nós também ficamos frustrados quando as coisas não saem do jeito que esperávamos, e então precisamos tentar mudar o que não está dando certo ou, se isso não for possível, devemos nos adaptar a essa situação… ou então nossa frustração será expressada através da agressividade. Como adultos, quando ficamos mais conscientes de como estamos nos sentindo podemos mudar a maneira como reagimos à frustração dos nossos filhos.
Tornar-se pai e mãe traz muitos desafios, geralmente muito maiores do que imaginávamos. Esperamos criar nossos filhos, mas ao longo do caminho que nos deparamos com oportunidades inesperadas para o nosso próprio crescimento e desenvolvimento. A partir do momento em que nos tornamos pais, e aqueles pequenos olhos nos procuram para orientação e apoio, começamos a descobrir mais sobre nós mesmos a medida que nos esforçamos para sermos os pais que almejamos ser!
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Texto original (em inglês): Making Sense of Aggression: What’s Really Going On and How to Help, por Bridgett Miller
