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A história do Luda – Autismo

A história do Luiz Davi, contada pela mamãe Ana Paula:

“Para contar sobre meu amado filho vou no momento da vontade de te-lo… sempre quis ter um filho; e era assim que eu pensava e falava “filho”… isso era tão latente dentro de mim que um mês após parar de tomar o remédio eu já estava grávida de apenas 2 semanas e meia. E a forma que eu achei de contar a família foi dando uma cueca de presente. Durante aquela semana fui fazer uma ultra e, é claro, não tinha batimentos cardíacos; e eu na minha ignorância só chorava! Foram 3 dias de choro, mas decidi fazer outra escondido, porque todos mandavam eu esperar uns 10 dias… Como assim?! Sofrer por 10 dias?? Não deu! Fui sozinha e nunca vou esquecer aquela médica carinhosa mostrando agora uma pontinha no vídeo e logo em seguida ouvi seu coração… como chorei mas de felicidade!!!

E assim foram as semanas passando, e todos diziam que era menina… quase me convenceram disso! Foi quando com 4 meses eu tive uma queda no trabalho e fui para a emergência, estava lá o meu menino lindo que se escondia nas ultras que fiz!

Veio a vez de fazer a ultra de translucência nucal necessária para verificar várias doenças, inclusive a Síndrome de Down. Eu não queria fazer porque se houvesse algo errado nada ia mudar; eu teria meu pequeno do mesmo jeito! Mas o médico me disse que eu deveria fazer por diversos outros motivos, e eu fiz… estava tudo perfeitamente bem!

E assim foram as semanas seguintes, até a 37a semana pois minha barriga não cresceu de uma semana para a outra, e isso indicava que estava na hora. O bebê poderia começar a ficar apertado demais já que a minha barriga não acompanhou seu crescimento… e Luiz Davi veio no dia 13 de dezembro de 2010, às 21h45… Lindo!!!

Lembro que nos primeiros dias sofri e chorei bastante, mas não consigo explicar por que… durou uns 5 dias e passou… e assim os meses seguintes vieram e eu cada vez mais apaixonada… Alguns meses antes dele completar um ano passei por problemas pessoais que fizeram com que eu não lembrasse muitas coisas dele naquela época. Mas lembro que ele demorou um pouco para sentar, que nas consultas mensais estava sempre tudo bem no seu crescimento. Luda andou antes de engatinhar… lembro de ter ouvido umas 3 vezes ele falar mamãe após um ano e depois parou. Foi aí que uma conhecida comentou sobre ter algo errado e me deu 3 doenças que ele poderia ter. Nossa, como sofri, como chorei! Mas ali minha luta começou em busca de certezas… Foram 4 médicos, uma ONG e várias respostas até a confirmação. Tive as seguintes respostas: “ele não tem nada” disse o primeiro médico; “ele pode ser até um super dotado” disse a diretora da ONG (afinal ele leu para ela com 2 anos e 4 meses); “ele é muito novo para saber” disse outro médico; “ele é um Asperger” disse uma avaliadora da ONG; disse “ele é sugestivo de autismo” um outro Neuro-psiquiatra… esse eu lembro que chorei muito, mas ainda não tinha um laudo… então ainda existia esperança!

Fui em uma outra avaliação no Instituto Federal que me encaminharam a um CAPS com diagnóstico de TID (transtorno invasivo do desenvolvimento)… Lembro que também chorei muito pois, na loucura do momento, fui pesquisar e troquei a sigla! Vi coisas nada a ver com autismo, e algumas semanas depois, exatamente no dia 29/10/2013 fui ao Instituto Fernandes Figueira para a primeira consulta. Errei o horário e cheguei às 11h e a consulta era às 14h. Essas 3 horas no hospital foram doloridas. Vi crianças com várias doenças e peculiaridades e chorei muito mesmo antes da consulta. Hoje acho que já pressentia o que estava por vir… e veio.

O médico chegou e chamou duas fonoaudiólogas para participar da avaliação… enquanto uma brincava com ele, a outra só observava. E o médico me fazia diversas perguntas e eu respondia com a esperança de que ele falasse que o Luda não tinha nada. Mas não foi isso que ele fez. Com a voz calma disse que o Luiz Davi é autista…e o mundo caiu! Desabei de chorar e ele esperou eu me acalmar e disse assim: “o que você fez até hoje?”, eu com a voz embargada disse que coloquei ele na fono! E ele continuou…”e agora?” Respondi: “vou fazer o impossível para ajudá-lo!!!” Ele respondeu: “é isso. Agora vc vai tratá-lo!!!”

Não consigo esquecer a dor que senti naquele dia. Eu sou funcionária pública mas trabalho legalizando eventos também, estava finalizando uma legalização e tinha uma reunião e entrega de documentos. Coloquei minha mãe em um taxi com o pequeno e fui. Chorei pelo caminho, e quando cheguei ao local, enxuguei as lágrimas e foi assim o resto da tarde e dos dias.

Falam em luto do filho perfeito; eu não cheguei a ter o tal luto porque não tive tempo para isso. Um mês depois já tinha encontrado a psicóloga que aplica ABA – Applied Behavior Analysis – (abordagem indicada pelo médico), que iniciou a avaliação em dezembro e passou a tratá-lo em janeiro. Em fevereiro achamos uma ótima fono, em março começou a fazer natação e outra psicóloga!

Hoje ele faz mais terapia sensorial, psicopedagoga, informática, equoterapia e estamos tentando jiu-jitsu. É uma luta em todos os sentidos: correria porque tenho 2 trabalhos. O pai às vezes leva às terapias e eu em outras; financeiro porque todos são caros (conseguimos alguns através de convênio pois o pai dele é militar, os avós ajudam um pouco) e estamos em uma luta pela evolução dele que nesses meses foi nítida! Nunca imaginei ouvir “te amo” ou “mamãe”… e hoje ele já fala isso para mim!! Ainda temos muito trabalho e ele só está começando… Hoje ele me faz uma pessoa melhor… e é assim que me sinto. Querendo sempre ser alguém melhor e poder dar o melhor exemplo para ele….

Sou mãe de um anjo azul…Luiz Davi.”

Luiz Davi