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Sou mãe de UTI

Sou mãe de UTI.
Tenho medo. Medo dos alarmes, medo dos boletins médicos, medo de notícias ruins. Medo de tocar meu filho e machucá-lo. Medo a cada vez que o telefone toca. Medo do pesadelo não acabar. Medo de perder meu filho.
Tenho culpa. Culpa por não ter evitado essa situação. Culpa por não poder cuidar do meu bebê, por não conseguir tirar todo o volume de leite que ele precisa, por ter que observá-lo pelas portinhas da incubadora.
Tenho raiva. Raiva por isso ter acontecido comigo. Raiva quando outras mãos, que não as minhas, cuidam dele enquanto eu deveria ser seu porto seguro. Raiva por ter que desapegar dos meus planos e encarar uma realidade desconhecida.
Tenho vontade. Vontade de ouvir algo melhor que “estável”, de pegar meu filho no colo, de trocar suas fraldas e de dar banho. Vontade de apresentá-lo pra todo mundo. Vontade de chorar.
Sou mãe de UTI.
Tenho fé. Fé de que minhas preces serão ouvidas. Fé de que Deus está ao lado do meu filho, cuidando dele a todo instante.
Tenho esperança. Esperança de sair daqui com meu bebê em meus braços. Esperança de levá-lo pra casa pra que ele viva os sonhos que sonhei pra nós, e todos os sonhos que ele vier a ter.
Em mim, mora o maior amor do mundo. Sou mãe de UTI. Sou força, pavor, esperança e amor. Tenho tudo dentro de mim. Sou mãe.

Autora: Maria Cecília Mattos | Maternidade no Divã
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