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Introdução ao tema da Prematuridade

Um dos temas pelo qual mais me interesso é o nascimento de bebês prematuros e a relação mãe-bebê na UTI Neonatal. Por ter experiência nessa área, tenho conhecimento teórico-prático que acho interessante dividir. Esse é o primeiro post sobre o assunto! Para quem já passou por isso, é uma oportunidade de conhecer uma nova visão sobre o fato. Quem nunca passou, pode aproximar-se dessa realidade tão comum (e temida), mas pouco falada.

A gravidez é reconhecida por todos como um período de mudanças e transições. Além das mudanças corporais na mulher, a dinâmica familiar é também alterada nesse período. A gestação, desejada ou não, acaba por suscitar diversas questões na gestante que, além de filha, agora é mãe.

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O nascimento de um bebê é um momento único para o casal, e que requer reestruturações e readaptações em diversos sentidos. Durante todo o período gestacional os pais fazem muitos planos para esse bebê, que já nasce com grande responsabilidade, devido os desejos parentais (FAVORATTO e GAGLIANI, 2008). Todas as gestantes sonham dar a luz a bebês bonitos e sadios. Já se sabe que o nascimento é acompanhado de um luto de filho idealizado, para que seja possível o estabelecimento de um vínculo com o filho real que se apresenta no momento do parto. Este luto pode ser natural e ocorrer sem problemas, mas há pais que passam por dificuldades nesse processo.

Segundo Maldonado (1985), em qualquer gravidez a realidade do feto in utero para a mãe não é a mesma realidade do bebê recém-nascido, e para algumas mulheres é difícil fazer essa transição. Considerando que isso ocorre em todas as puérperas, apresentando-se como uma fase difícil, é possível compreender o impacto ainda maior que um neonato que necessita ir para a UTI gera nas mães. Se todos os pais de bebês saudáveis devem abandonar o filho idealizado, repleto de desejos e ilusões, para poder interagir com o filho real que se apresenta, é compreensível o difícil processo sofrido por aqueles que têm um bebê prematuro, pequeno, frágil e internado. O caso de bebês prematuros que precisam ser internados na UTI Neonatal é um contexto peculiar em que pode-se observar algumas mudanças no contato e na relação entre a mãe e seu filho.

O bebê prematuro geralmente apresenta-se com características muito distintas do bebê idealizado, marcado pelos desejos da mãe. Além disso, não é apenas o bebê que nasceu antes do tempo certo, a mulher torna-se mãe também prematuramente. O tempo da gestação dentro da normalidade é fundamental para que algumas representações acerca do bebê ideal sejam progressivamente desfeitas para que o contato mãe-bebê real seja mais saudável.

Em breve, um novo texto sobre o tema irá ao ar! Aguardem!

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Fontes:

FAVORATTO, M. e GAGLIANI, M. Atuação do Psicólogo em Unidades Infantis. Em: Manual de Psicologia Clínica para Hospitais / Bellkiss Romano (org) – São Paulo : Casa do Psicólogo, 2008.

MALDONADO, M. T. P. Psicologia da gravidez. Petrópolis : Vozes, 1985.

9 thoughts on “Introdução ao tema da Prematuridade

  1. Maria Cecilia, é interessante seu ponto de vista sobre o assunto. Estou ansiosa pelos proximos textos sobre esse tema. Poucos conhecem sobre a uti neonatal. Um abraço!

  2. Muito bacana o nome do blog ser Maternidade no Divã. Esse post sobre prematuridade foi muito esclarecedor. Sou mãe de duas meninas e elas nasceram a termo e saudáveis. É interessante saber sobre os bebes prematuros. Parabéns pelo seu trabalho. Adelaide.

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