Maternidade no Divã | Psicologia, Maternidade e Desenvolvimento infantil <data:blog.pagetitle/>

Laura Gutman - Palestra Exclusiva em São Paulo

maio 04

A argentina Laura Gutman é autora dos best-sellers “A maternidade e o encontro com a própria sombra” e “O poder do discurso materno”.

A renomada psicoterapeuta familiar e escritora fará uma palestra exclusiva em São Paulo, dia 21 de maio, a convite da plataforma virtual “Somos Mães de Primeira Viagem”.

É claro que o Maternidade no Divã não ficaria fora dessa! E vocês vem comigo! Leitores e seguidores do Divã têm 50% de desconto ao usar o código promocional: 3ER26NS814

Acesse: http://lauragutman.somosmaesdeprimeiraviagem.com.br e faça já sua inscrição. As vagas são limitadas!

Fotos do bebê que partiu - Lindsey & Webb - NILMDTS

maio 01

Lindsey escreveu uma carta de agradecimento à Michelle, fotógrafa da NILMDTS que eternizou em fotos seu filho natimorto, Webb.

*

Todos os recém-pais sonham em ter seus recém-nascidos fotografados nas mais doces poses. O que eles não sonham é ouvir a pergunta, “Você quer um profissional para vir fotografar seu bebê natimorto?”. Nunca imaginei que teria de responder a essa pergunta. A enfermeira nos disse que não precisávamos responder imediatamente, mas incentivou um fotógrafo da NILMDTS viesse. Eu sou grata que ela tenha insistido; primeiro por ter sido menos uma decisão que tivemos que pensar, e segundo porque as fotos são o maior presente que temos de nosso filho.

JosephWebbDeMoss

Nosso filho, Webb, nasceu em uma manhã de sexta-feira em agosto de 2015 e nossa fotógrafa da NILMDTS, Michelle, foi ao hospital naquela noite. Ela entrou no quarto e explicou o processo para nós. Ela nos fez sentir tão à vontade naquele dia terrível. Por um breve momento, eu me senti como se estivéssemos tirando fotos “normais” de família e de newborn, em vez de fotos do nosso anjo que já dormia…

Ela posicionou Webb e nossa família de uma maneira tão gentil e amorosa. Ela até desenrolou ele de seu cobertor para capturar suas longas pernas, e os doces detalhes em seu corpinho. Sou tão grata por ela ter feito isso, porque tenho certeza de que eu não teria tido coragem de fazer. Michele realmente capturou o nosso amor como família, eternizando momentos que teremos para toda a vida. Eu não posso expressar o quanto sou grata por ela ter feito essa memórias eternas. Eu temia esquecer aqueles dias preciosos que passamos com Webb, então quando eu olho para ele nas fotos, eu sorrio. Eu sorrio porque podemos nos lembrar dele. Eu sorrio porque eu posso olhar para aquele dia trágico e lembrar que somos uma família. E eu sorrio porque ele é nosso filho. Obrigada do fundo do nosso coração.

Lindsey

*

Post original em inglês

Histórias de Amor na Perda Gestacional e Neonatal

abr 28

O grupo Do Luto à Luta: Apoio à Perda Gestacional e Neonatal é um conhecido antigo do Divã. Recentemente entrou no ar a campanha do financiamento coletivo do livro “Histórias de Amor na Perda Gestacional e Neonatal”, que terá fim no dia 06/06/2016. Com muita dedicação e empenho, o valor mínimo necessário para a publicação do livro foi atingido!

Agora o grupo foi desafiado a conseguir superar as metas e chegar a 14 mil reais até o dia 06/05/16. Se atingirem essa segunda meta, receberão da Bookstart 25 livros extras, que serão entregues nas principais maternidades públicas do Rio de Janeiro para que mulheres e/ou casais de baixa renda, que estejam vivendo um momento de perda, tenham acesso ao livro.

Peço aos leitores do Divã que ajudem a dar voz à dor do luto de pais, familiares e profissionais que acompanham mulheres que perderam seus filhos.

Conto com você para, juntos, quebrarmos o silêncio sobre o tema!12984055_1720039894935727_5071723868083062851_o

 

Entrevista com Laura Gutman - blog Mamás Reales

abr 27

Laura Gutman foi entrevistada pelo blog Mamás Reales. Fiz uma tradução livre do post original, em espanhol. Vale a leitura!

*

Se você está grávida ou é mãe, certamente em algum momento te falaram dela, te emprestaram ou te presentearam com um de seus tantos livros. Laura Gutman é seguida pelas mães como uma espécie de guru, ainda que ela negue esse título.

Ela tem mais de 10 livros escritos, baseados em sua experiência de mais de 30 anos de trabalho com pessoas, mães e não mães. Entre outras coisas, afirma que muitos dos problemas sociais que vivemos hoje - como a violência e a dificuldade de perceber as necessidades do outro - são produto da falta de maternagem, de uma conexão real entre mãe e bebê. Em seus livros e palestras, propõe que revisemos nossa própria história para se conectar com essas sombras, com nosso desamparo infantil, e a partir dessa consciência podermos nos relacionar com uma conexão real com nossos filhos.

laura gutman

Quando você começou a questionar temas sobre a maternidade?
Quando era pequena tinha uma conexão muito especial com qualquer bebê que passasse pela rua, a tal ponto que ao ver um bebê chorar, sentia e sabia o que estava acontecendo. O que não entendia era como a mãe não se dava conta, quando para mim era óbvio! Já adulta e mãe, comecei a traduzir a outras mães o que seus bebês sentiam. Eu percebi que tinha uma sabedoria sobre experiências muito sutis de qualquer criança e, de forma espontânea, eu sabia que aquelas mães que não entendiam seus filhos, quando crianças foram desamparadas. Esse foi o começo.

Depois começou a estudar com sua escola, e sistematizou o conteúdo?
Na Argentina, muitos anos depois, comecei a trabalhar tentando apoiar mães. Me dava conta que o que os bebês estavam passando era bastante parecido ao que elas haviam sentido em sua própria infância, ainda que essas mulheres não se recordassem disso. Fui colocando palavras e ordem no mundo emocional delas.

Então sua capacidade seria um pouco de empatia…
Eu acho que não era apenas uma questão de empatia. Sou uma pessoa muito racional, e tentei colocar as coisas em ordem, colocando palavras num território emocional confuso para mãe e seu filho. Aos poucos percebi que não era apenas um território das mães, mas de todos os seres humanos - homens ou mulheres, com ou sem filhos. Existe algo que todos compartilhamos: nascemos do ventre de uma mãe, chegamos ao mundo imaturos, com necessidade de amparo, proteção e conforto que não recebemos.

A partir disso que você diz que todos vivemos um desamparo infantil…
Sim. Isso explica porque somos as pessoas que somos, porque o mundo anda como anda, porque há tanta violência, caos, vícios, infelicidade, insatisfação. Hoje nós adultos não fazem espontaneamente o bem ao outro, porque estamos infantilmente machucados; sem nos dar conta, continuamos com altos níveis de necessidades, desespero e coisas que não foram satisfeitas. Hoje pedimos essas coisas, como se fôssemos crianças imaturas.

Você propõe que devemos reconstruir nossa biografia humana, revisando nossa infância. Em que isso se diferencia de uma terapia típica?
É absolutamente diferente. Ao longo dos anos fui inventando uma maneira, por tentativa e erro, de ir abordando o indivíduo a fim de chegar à realidade do que ele viveu quando criança. Para conseguir isso, não escutamos a pessoa, pelo contrário. Fazemos um trabalho de detetive. Buscamos algo da experiência infantil que o próprio indivíduo desconhece, não se recorda ou não sabe. Nos importa pouco o que ele diz, buscamos pistas em sua vida real e as conectamos com habilidades de detetive! Buscamos pistas onde parece que não há nada.

Você sempre diz que há um abismo entre o que vivemos realmente e o que recordamos que vivemos. Como se chega ao vivido se não é através da memória?
No livro “O poder do discurso materno” falo disso. As lembranças são organizações da consciência, e a consciência só recorda coisas que tenham sido organizadas e antes nomeadas. Como uma sopa de letrinhas, construímos frases e palavras para fazer sentido, e por isso podemos recordar. É a mesma coisa! A mim pode ter acontecido algo que, se ninguém nomeou para mim, não posso recordar. E o contrário também, pode não ter me acontecido nada, mas se minha mãe sempre me contou, eu organizo isso e o registro como uma lembrança real. Por isso as lembranças que temos da nossa infância não são nada confiáveis, tem muito do discurso materno.

Por que é tão difícil conectar-se com essa sombra e poder afirma que nossa mãe não foi capaz de conectar-se tanto conosco?
Sempre é necessário um outro para fazer; um profissional treinado que me ajude a ver isso. Além disso, as experiencias infantis estão muito ligadas ao que a mae disse, então é dificil reconhecer. “Mas por que minha mãe me contou outra coisa?”. Provavelmente porque ela organizou muitas interpretações que estão ligadas com o que a avó contou, que estão ligadas com o que a bisavó contou.
Por isso, quando alguém pensa ser um bom pai ou mãe, deve saber que não importa tanto o que faça com seu filho, se ele vai à melhor escola ou não, mas sim que, fundamentalmente, a criança precisa de adultos que estejam em uma busca permanente do seu verdadeiro eu. Uma mãe que interpreta a vida e afirma que “isto é bom, isto é mal, você é tal coisa”, não serve à criança. Porque ela vai ter uma referência falsa da realidade. Outra coisa é um adulto que questione a si mesmo, isso permite que a criança transite uma variedade de opções. Um adulto assim não impõe à criança uma visão de mundo, mas sim que vai estar disponível para ver a partir do olhar dessa criança que lhe pede que a acompanhe. São duas maneiras de seguir com a maternidade e a paternidade.

Com mais liberdade?
Sim e, sobretudo, permitindo um crescimento com plena consciência.

Como uma mãe pode treinar sua disponibilidade afetiva se não a teve enquanto criança?
Primeiro quero esclarecer que ser uma mãe trabalhadora não tem nada a ver com ter ou não disponibilidade afetiva. Se a mãe não tem disponibilidade afetiva, é pelo que passou quando foi criança. Nisso sou categórica, certamente ninguém tem um registro disso. Sempre fazemos o melhor que podemos, é claro. O que sugiro é que façamos o processo da Biografia Humana, porque é a maneira de compreender o que acontece comigo e de ver qual possibilidade real tenho de mudar algo sobre mim mesma, o mundo e meus filhos; é primeiro compreender quem sou, de onde venho, o que aconteceu comigo de verdade e quais coisas eu tive que fazer para sobreviver a isso. Espontaneamente fazemos o melhor possível, mas somente por vontade própria não posso mudar porque vou fazer o que sei fazer, que é o que tenho programado, pois foi a forma que me fez sobreviver ao meu nível de desamor.
Para mudar isso que trazemos programado, sugiro o método com o qual trabalho, a Biografia Humana, porque é um programa honesto. Buscamos a verdade do que há, retiramos as vendas para descobrir o que nos aconteceu. Não damos conselhos, não dizemos o que fazer, mas apostamos que cada indivíduo, ao observar seu própria realidade, decidirá o que fazer com esse conhecimento.

Por que acredita que as mães te seguem tanto?
Não sei. Nunca digo o que fazer, sou a anti-guru das mães, por isso nao entendo o que acontece. A verdade é que meus primeiros livros descrevem de maneira sensível as vivências de qualquer mãe de filhos pequenos. Aí há uma identificação, provavelmente. Nesse sentido há uma classificação, mas sempre falo do encontro com a própria sombra. Proponho revisarmos o que somos, uma investigação árdua e dolorosa de si mesma. Não importa se você é mãe ou não, se é avô ou avó, tio, casado ou solteiro. Todos temos alguém próximo para fazer o bem. É claro que as mães tem uma enorme responsabilidade para fazer o bem sobre uma criança pequena que depois se tornará um cidadão. Mas não é que as mães me importem mais. Eu falo o tempo todo da infância, coloco o foco na criança que fomos, não tanto na criança que está em casa, porque começar por aí é como começar no capítulo 85.

As conversas sobre educação e os encontros para mulheres grávidas sempre lotam. Você acredita que atualmente existe uma preocupação maior dos pais por maternidade e educar?
Sou um pouco pessimista a esse respeito. É ótimo ter a intenção, que as rodas de conversa lotem, mas vou mais a fundo. Creio que não seja um tema de boa vontade, mas de consciência, que são duas coisas que não tem nada a ver. A consciência vai mais além da vontade, é tomar uma consciência profunda sobre o meu ser essencial. Posso ter a vontade de criar bem e tentar com muita dedicação, mas não conseguir. Se uma mãe não tem consciência do nível de violência que viveu, e coloca muita dedicação porque diz que “ao meu filho não vai acontecer o mesmo,” é claro que seu território emocional tem muitas portas fechadas, e que ela não está emocionalmente aberta para sentir a partir do ponto de vista da criança. Porque ela não se conectou com sua mãe. Dificilmente a criança vai sentir sua mãe em seu território emocional.

Você acabou de publicar “Qué nos pasó cuando fuimos niños y qué hicimos con eso*”. O que você pode nos contar sobre esse trabalho? (*O que nos aconteceu quando éramos crianças e o que fizemos com isso - ainda indisponível em português)
É como uma continuação de “La biografía humana”. Abordo um tema um pouco mais complexo. Falo do que acontece com as crianças que tiveram mães cruéis ou desequilibradas. Vou explicando como se organizam os diferentes desequilíbrios emocionais nas pessoas, algo que é muito mais banal do que cremos. Englobo tudo, desde os transtornos obsessivos compulsivos, às paranóias, esquizofrenias, depressões, e os psicóticos. Abordo isso porque nenhuma criança nasce louca, e todo sofrimento da alma que temos ao longo da vida tiveram sua semente plantada em vivências infantis das quais não temos registro, geralmente. Então, faço uma explicação de como se organiza uma pessoa que precisa desequilibrar essas emoções para tolerar o que vive. Eu creio que essas doenças mentais são mecanismos inteligentes da consciência para sobreviver.

Você acredita na transformação do ser humano?
Claro, se não eu não trabalharia tanto. Mas a chave está em uma honesta e verdadeira indagação pessoal. Isso não é fazer qualquer terapia, mas sim organizar, de verdade, as peças da realidade que vivemos para entender o que tiver que fazer para sobreviver. Uma vez que alcançamos esse campo, então podemos fazer movimentos diferentes.

Original (em espanhol) por Carolina Anastasiadis

Laura Gutman estará presente no II Seminário Internacional de Mães. Utilizando o cupom maternidadenodiva10 você garante 10% de desconto!

Pré-Natal Psicológico

abr 24

Além de alterações fisiológicas e somáticas, a gestação é um fenômeno complexo que também inclui alterações psicológicas e sociais. A gravidez, especialmente a primeira, representa um poderoso evento psicológico.

PRÉ-NATAL PSICOLÓGICO: Esse conceito em atendimento perinatal é super recente. Mas… o que é isso? Voltado para maior humanização do processo gestacional e do parto e da parentalidade, os encontros em grupo tem ênfase na preparação psicológica para a maternidade e paternidade, e na prevenção da depressão pós-parto. Durante a gravidez a gestante faz diversos exames e é acompanhada com frequência para prevenir e identificar qualquer alteração no curso da gestação. Por que não cuidar também do emocional?

O Pré-Natal Psicológico é complementar ao pré-natal tradicional e tem caráter psicoterapêutico. Além de oferecer apoio emocional, discute soluções para demandas que podem surgir no período gravídico-puerperal, como aquelas relacionadas aos mitos da maternidade, à possibilidade da perda gestacional e/ou neonatal, à gestação de risco, à malformação fetal, ao medo do parto e da dor, às mudanças de papéis familiares e sociais, às alterações na libido, ao conflito conjugal, ao ciúme dos outros filhos, ao planejamento familiar, entre outros.

Os encontros também tem a função de sensibilizar a gestante quanto à importância do plano de parto e da presença de um acompanhante. Além desses aspectos preventivos, o grupo pode colaborar e desmistificar temas importantes, como cuidados com amamentação, cuidados com o bebê e a maternidade idealizada.

Bibliografia
ARRAIS, A.R.; MOURÃO, M.A.; FRAGALLE, B. O pré-natal psicológico como programa de prevenção à depressão pós-parto. Saúde Soc. São Paulo, v.23, n.1, p.251-264, 2014. (clique aqui)

CABRAL, D. S. R.; MARTINS, M. H. F.; ARRAIS, A. R. Grupo de pré-natal psicológico: avaliação de programa de intervenção junto a gestantes. Encontro: Revista de Psicologia, Valinhos, v. 15, n.22, p.53-76, 2012. (clique aqui)

As feridas do pai ausente

abr 20

Artigo do site A Mente é Maravilhosa

*

Falar de família às vezes cutuca certas feridas, frustrações e pequenos rancores. De fato, poderíamos dizer sem sombra de dúvida que uma das figuras mais complexas e que surgem com maior frequência é a do “pai ausente”.

“O pai ausente não é só o vazio físico de uma figura que não tivemos; às vezes, é também alguém que “mesmo estando” não soube ou não quis exercer o seu papel. É uma ausência psicológica capaz de criar em uma criança diversas feridas emocionais.” A Mente é Maravilhosa

É muito possível que esta situação lhe seja conhecida. Que você a tenha vivido na própria pele ou que a tenha observado no seu círculo social mais próximo. Às vezes, quando pedimos para alguém falar da sua família, não vacilam em dar mil histórias das suas mães, avós, tios, entretanto, na hora de falar do seu pai, o sorriso fica forçado e aparece o silêncio. Os ombros se encolhem e titubeiam um… “Não sei, meu pai era… era simplesmente ele. Estava ali, sem mais”.

Não queremos dizer que este tipo de vazio emocional seja característico exclusivamente da figura paterna, também pode acontecer com a figura materna, contudo, é muito comum que na hora de falar desse tipo de educação prejudicial, capaz de deixar marcas de amadurecimento, a figura do pai ausente esteja presente.

Aprofunde um pouco mais essa reflexão no artigo do site A Mente é Maravilhosa