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O psicólogo na sala de parto

Você sabia que um dos papéis do psicólogo que atua nas áreas que envolvem o saber do psiquismo pré e pós-natal é estar presente na sala de parto?

cegonha

Cada vez mais a tecnologia vem substituindo o humano em diversas atuações profissionais – na medicina não é diferente. No entanto, muitos pesquisadores acreditam ser necessário o resgate do contato humano na maternidade, principalmente no parto. Como já vimos (aqui e aqui), não faz muito tempo que as mulheres tinham filhos no lar, acompanhadas pela família. A medicalização do parto é recente, e é real que a infra-estrutura hospitalar se adequa a esse momento tão imprevisível como o nascimento de um bebê. Mas, como podemos pensar em aproximar a simplicidade do lar às tecnologias presentes na instituição?

Recentemente temos visto o retorno da busca pelo parto humanizado. Muitas famílias já não desejam receber o bebê em um ambiente de tamanha frieza asséptica como as salas de parto convencionais. Ao mesmo tempo, os hospitais preocupam-se cada vez mais em transformar os centros obstétricos em ambientes mais aconchegantes que permitam a participação mais ativa do pai e privilegiem o contato precoce da mãe com o filho.

A presença do psicólogo na sala de parto pode acontecer havendo uma situação de risco ou não. Todo nascimento gera certa crise, tanto na tríade pai-mãe-bebê, como na equipe, mesmo em um parto sem intercorrências. O psicólogo torna-se então mais uma peça na humanização do parto.

“Nascer é um momento intenso, repleto de surpresas, e uma pessoa disponível psiquicamente (…) pode tornar-se cúmplice das emoções despertadas (…) Ao colocar-se em uma condição receptiva, por meio de um olhar que toca, valoriza e desperta a emoção, o psicólogo tem a possibilidade de apreender o clima emocional da situação a partir de sua própria experiência emocional e, desse modo, prestar atenção à vida e não somente aos fenômenos” (MATTE, 2011, p.33/34)

No entanto, é importante que o profissional já esteja realizando um acompanhamento psicológico pré-natal à gestante, e possa continuá-lo no pós-parto. Dessa maneira, pensamos no psicólogo como um integrante da equipe, como o obstetra e o pediatra. O psicólogo presente na sala de parto pode exercer uma função continente para os pais, o bebê e a equipe.

“Coloco-me em pé atrás da obstetra; de onde estou, tenho a privilegiada visão do rosto da mãe, da cabeça do bebê, percebo que sou a única pessoa que está somente olhando para a mãe o que possibilita ela sustentar seu olhar no meu. O pai está de um lado, a pediatra está de outro, juntamente com o anestesista. A obstetra intercala seu olhar entre o campo cirúrgico e o rosto da mãe, (…) mas permanece, obviamente, mais concentrada no bebê. (…) A mãe tem mais uma contração, olha bem dentro dos meus olhos.” (Depoimento de uma psicóloga presente em um parto. Matte, 2011, p.34)

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Fonte:

Matte, L.D.S. Novas tendências – o psicólogo na sala de parto. Em: A clínica com o bebê / org. Cláudia Rohenkohl. – São Paulo: Casa do Psicólogo, 2011.