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O nascimento do bebê prematuro

jul 25

O bebê prematuro é aquele que nasce com a idade gestacional inferior a 37 semanas. Quando ele nasce, rompe a possibilidade da mulher exercer o papel de mãe no primeiro momento do nascimento, uma vez que ele precisa de outros cuidados para que consiga sobreviver. Uma situação como essa produz muita dor, e a recuperação pode ser difícil e lenta. (MARSON, 2008)

Enfermeira segurando prematuro na UTI Neonatal

Image by © Corbis

Na maior parte dos casos de partos prematuros, o médico toma uma decisão com urgência para salvar a vida da mãe e do bebê. Esse parto antecipado perturba os projetos e os sonhos dos pais, que previam um dia calmo e sereno para a chegada de seu filho. Além disso, o filho nascido em meio a pânico e imprevistos, lhes é arrancado de forma brusca pelos médicos e levado à Unidade de Terapia Intensiva. Esse momento é vivido de forma triste e frustrante, assim como receber alta da maternidade sem poder levar o filho pra casa (MATHELIN, 1999). É necessário esclarecer que nem todos os bebês internados nas UTIs Neonatais estão doentes. Frequentemente eles estão lá apenas para ganhar peso, crescer e se capacitarem para respirar, sugar e deglutir sozinhos.

Se o instinto materno não ocorre por si só, podemos pensar que no contexto da UTI ele demora ainda mais para aparecer. Ao ver seu bebê sendo cuidado por outra pessoa, a mãe pode sentir-se culpada e inferiorizada, incapaz de cuidar do seu próprio filho. Dentro da incubadora, outras mãos trocam a fralda e alimentam o bebê que nos seus sonhos deveria estar em casa, sob seus cuidados.

Mas, calma! Tudo isso pode ser reparado. Apesar dos desencontros que acontecem nessa fase, a mãe é capaz de se vincular ao bebê, e ele a ela. O prejuízo que o contexto pode causar não é irreversível, de forma alguma! Além disso, mesmo com toda a necessidade do cuidado médico, a mãe é peça-chave para a recuperação do bebê.

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Fontes:

MARSON, A. P. Narcisismo Materno: quando meu bebê não vai para casa… Em: Rev. SBPH v.11 n.1 Rio de Janeiro jun. 2008.

MATHELIN, C. O sorriso da Gioconda: clínica psicanalítica com os bebês prematuros. Rio de Janeiro : Companhia de Freud, 1999.

 

Será que os DVDs para bebês são bons?

jul 11

Maternidade no Divã DVDs

Image by © Fabrice Lerouge/Onoky/Corbis

Vocês já ouviram falar da Baby Einstein Company? A empresa líder mundial em produtos de desenvolvimento e de entretenimento para bebês e crianças foi fundada há mais de uma década por Julie Clark, uma mãe que desejava criar produtos que pudessem proporcionar que ela e sua filha descobrissem o mundo juntas. Cinco anos depois de fundada, a empresa foi vendida para a Walt Disney Company.

No site oficial:
“Baby Einstein oferece uma vasta gama de produtos de desenvolvimento e de entretenimento para bebês e crianças. O que faz os produtos Baby Einstein diferentes de qualquer outro é que eles são criados a partir do ponto-de-vista do bebê, e incorporam uma combinação única de objetos do mundo real, música, arte, animais e natureza - proporcionando-lhe uma forma divertida de apresentar ao seu bebê o grande, belo novo mundo em torno dele.” (Tradução livre)

Muitos pais me perguntam se o Baby Einstein, e esses outros DVDs voltados para crianças (Galinha Pintadinha, Bebê Mais, Patati Patata), são bons ou ruins, se auxiliam no desenvolvimento e no aprendizado da criança. Buscando na internet descobri vários blogs de mães que também questionam a qualidade desses produtos, além daquelas que chegam a perguntar se os produtos da marca americana são capazes de transformar seus filhos em pequenos gênios.

Diversas pesquisas recentes constataram que o aprendizado adquirido pelas crianças ao imitarem o que assistem na TV é inferior àquele adquirido nas interações sociais face-a-face e na imitação de modelos vivos. Muitos pais se questionam se assistir televisão, mesmo programas com conteúdos adequados à idade, pode ser prejudicial para as crianças. Os pareceres dos especialistas variam, mas eu acredito que quando a interação social com um adulto é parte do processo, os desenhos, programas educativos, e a mídia voltada para o público infantil podem complementar a aprendizagem de uma forma positiva! A interação social é fundamental para a aprendizagem em todas as idades!

Explorando o site da empresa, achei interessante o modo como sublinham a importância dos adultos serem parte ativa na interação da criança com os produtos. CDs, brinquedos, livros e DVDs são ferramentas que os pais devem usar para ajudar seus bebês a explorarem o mundo real, e não meios para ocuparem os filhos e assim reduzirem o tempo que passam com eles. Além disso, ressaltam a necessidade de equilibrar o tempo de uso dos produtos com outras atividades na rotina do bebê.

Os produtos Baby Einstein e de outras marcas podem sim fazer parte do dia-a-dia da criança, de maneira equilibrada e consciente. Mas atenção, lembre-se que esses artigos não substituem o tocar, o brincar, falar, cantar - a interação com seu filho é fundamental para seu desenvolvimento cognitivo, social e emocional.

Maternidade No Diva DVDs Infantis

Image by © Richard Lewisohn/Image Source/Corbis

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Fontes:

http://www.psychologyinaction.org/2012/11/06/social-learning-what-do-children-learn-from-screens/

http://www.time.com/time/health/article/0,8599,1650352,00.html

http://saudeinfantil.blog.br/2012/11/sera-que-os-dvds-do-baby-einstein-sao-realmente-bons/

 

Depressão Materna e a interação mãe-bebê

jul 04

Maternidade Depressão Pos-Parto Materna Tristeza

Image by © moodboard/Corbis

As interações sociais são fatores que engendram o desenvolvimento do ser humano. Se pensarmos que as mães não-deprimidas tendem a ser mais responsivas ao seu bebê que as deprimidas, podemos sugerir que a interação mãe-bebê no contexto da depressão materna pode ser prejudicada. A saúde a mãe é fundamental para o bem-estar do bebê.

Alguns autores como Brazelton e Cramer (1992) sugeriram que a depressão materna pode ser considerada um dos mais frequentes fatores que afetam a interação mãe-bebê. Engana-se quem pensa que a interação da mãe deprimida caracteriza-se apenas pelo afastamento, falta de engajamento e pouca estimulação. Outra possibilidade é que a mãe deprimida apresente o oposto – comportamentos intrusivos e de superestimulação.

Stern (1997) observou que a mãe deprimida tende a romper o contato visual com o bebê, e não tenta restabelecê-lo. No entanto, ele percebeu que há evidências de que o bebê tenta fazer com que a mãe volte à vida, como um reanimador diante da mãe em sofrimento (e isso muitas vezes funciona!). Schwengber & Piccinini (2003) citaram alguns estudos que mostram que mães deprimidas gastam menos tempo olhando, tocando ou falando com seus bebês, em comparação às mães não-deprimidas. Os autores também apontaram que bebês de mães deprimidas exibem menos afeto positivo, menor nível de atividade, menos vocalização, mais expressões de raiva e tristeza, e até uma aparência depressiva, em comparação aos bebês de mães não-deprimidas.

É preciso ficar claro, no entanto, que embora esses estudos apontem para particularidades da interação da mãe deprimida com o bebê, não é regra que o filho de uma mulher com depressão também apresentará comportamento depressivo. Além disso, precisamos fazer distinção entre depressão transitória e prolongada no momento de avaliar o impacto da depressão materna na relação mãe-bebê.

“De qualquer modo, a criança não é considerada um recipiente passivo dos estímulos ambientais, mas, sim, um participante ativo na formação de suas trajetórias de desenvolvimento e nos efeitos dessas trajetórias.” (Schwengber & Piccinini, 2003, p.408)

É importante esclarecer que Depressão Pós-Parto e Psicose puerperal são quadros muito diferentes.”O início da psicose puerperal é precoce. Durante a primeira semana depois do parto, a mulher perde o contato com a realidade e começa a acreditar em coisas que não existem, a ouvir vozes, a ter a sensação de incorporações com entidades, delírios e crenças irracionais. Às vezes, imagina possuir superpoderes e pode lesar a criança não intencionalmente, mas porque acha que pode voar e atira-se pela janela com o bebê no colo. Essa doença muito grave é bem diferente da depressão. Felizmente, os casos de agressão intencional ao filho são bem pouco frequentes. O crime de infanticídio, previsto no Código Penal, ocorre em 4% das psicoses puerperais. A ligação mãe-filho é tão intensa que mesmo a mulher psicótica, sem contato com a realidade, em raríssimos casos mata a criança intencionalmente.” (Dr. Frederico Navas Demetrio)

É fato que muitos casos de depressão materna poderiam ser evitados a partir de uma avaliação precoce já durante a gestação. Assim, intervenções com o objetivo de apoiar a mulher nesse momento de transição poderiam ser feitas, minimizando os riscos da depressão materna para a mulher e também pro bebê. É possível pensarmos também em uma ação preventiva nesse período, evitando uma interação de padrão negativo entre mãe e bebê. O diagnóstico logo após o nascimento do bebê também representa um benefício na realização de intervenções pelos profissionais da área da saúde. É de suma importância que esses profissionais estejam atentos para a necessidade do diagnóstico e do tratamento da depressão materna.

 

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Como disse no post anterior, desejo esclarecer que a proposta do post é informar profissionais de saúde e familiares de gestantes sobre a importância do diagnóstico da depressão pós-parto pois, quanto mais cedo ele for feito, menor será o impacto para a mulher e para o bebê. O apoio familiar, social e terapêutico é essencial para que as mulheres depressivas exerçam sua função de protetora, e se recuperem mais rapidamente.
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Fontes:

Brazelton, T. B., & Cramer, B. G. (1992). As primeiras relações. São Paulo: Martins Fontes.

Schwengber, D.D.S. & Piccinini, C.A. O impacto da depressão pós-parto para a interação mãe-bebê. Estudos de Psicologia 2003, 8(3), 403-411.

Stern, D. N. (1997). A constelação da maternidade: o panorama da psicoterapia pais/bebê. Porto Alegre: Artes Médicas.

 

Depressão Pós-Parto e Depressão Materna

jun 27

Antes de iniciar, desejo esclarecer que a proposta do post a seguir é informar profissionais de saúde e familiares de gestantes sobre a importância do diagnóstico da depressão pós-parto pois, quanto mais cedo ele for feito, menor será o impacto para a mulher e para o bebê. O apoio familiar, social e terapêutico é essencial para que as mulheres depressivas exerçam sua função de protetora e se recuperem mais rapidamente.

Maternidade Depressão Pos-Parto Materna Tristeza

Image by © Colin Hawkins/cultura/Corbis

A identificação de transtornos psiquiátricos associados à gestação e ao puerpério não é recente. Nos séculos XVII e XVIII já eram relatados casos de “insanidade puerperal” nas literaturas médicas francesa e alemã. Jean Esquirol, em 1818, foi o primeiro a oferecer dados detalhados e quantitativos de casos de psicose puerperal. No entanto, apesar de a psicose pós-parto ser conhecida pela maioria dos clínicos no final do século XIX, foi apenas a partir da década de 1950 que começaram a aparecer estudos incluindo quadros moderados de transtornos do humor, como a Depressão Pós-parto. (CANTILINO, A. et al, 2010)

O pós-parto é o perío­do de maior vulnerabilidade na vida da mulher para o aparecimento de transtornos psiquiátricos. Segundo o DSM-IV (Classificação de Doenças Mentais da Associação Norteamericana de Psiquiatria) e a CID-10 (Classificação Internacional das Doenças), a Depressão Pós-Parto (DPP) pode ocorrer durante as 6 semanas após o nascimento do bebê. Se os sintomas depressivos da mulher ocorrem após esses períodos supracitados, e/ou se estendem pelo primeiro ano de vida do filho, ela pode ser denominada Depressão Materna. No entanto, existem autores que usam o termo Depressão Pós-Parto para falar da depressão que surge desde após o parto até o primeiro aniversário do bebê.

A DPP acomete um número altíssimo de mulheres - em torno de 10% a 15%, segundo pesquisas americanas. À depressão materna podem ser atribuídos os seguintes possíveis sintomas: crises de choro, alterações no apetite e no sono, irritabilidade, sentimentos de desamparo e desesperança, falta de interesse em atividades que antes eram prazerosas, problemas de concentração, desatenção. Podem também aparecer sentimentos excessivos de culpa e, em casos mais raros e graves, ideias de suicídio. Estudos concluem que a ocorrência da depressão pós-parto está associada não apenas a fatores biológicos (hormonais), mas também a fatores obstétricos, sociais e psicológicos que se inter-relacionam.

De acordo com diversos autores a depressão materna tende a ser leve. O problema é que como os sintomas frequentemente não tem grande intensidade, ela é raramente diagnosticada. Além disso, como ansiedade, cansaço, insônia e humor instável são comuns na gestação e nas primeiras semanas pós-parto, um transtorno de humor corre o risco de não ser devidamente diagnosticado, pois os sintomas podem ser considerados normais pelos profissionais de saúde.

As chances de prejuízos na relação da mãe deprimida com o bebê, e de repercussões negativas no desenvolvimento da criança aumentam quanto mais grave e persistente for a depressão materna. Na próxima semana falarei sobre como a depressão da mãe pode afetar as interações mãe-bebê. Lembrando que um pai presente e o suporte familiar adequado podem minimizar o impacto negativo que a situação materna acarreta no desenvolvimento infantil. Até quinta!

Interessou-se pelo tema? Leia essa entrevista do Dr. Drauzio Varella com o psiquiatra Dr. Frederico Navas Demétrio, conversando sobre sinais de alerta, diagnóstico e tratamento da Depressão Pós-Parto.

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Fontes:

BALLONE, G. J. - Depressão Pós-Parto - in. PsiqWeb, Internet, disponível em www.psiqweb.med.br, revisto em 2008.

CANTILINO, A. et al. Transtornos psiquiátricos no pós-parto. Rev Psiq Clín. 2010;37(6):278-84

DEMARQUE, R. et al. (2012) Padecer no paraíso. Conheça alguns Transtornos Psíquicos na Gestação e no Pós-Parto que comumente acometem as mulheres, como amenizar o sofrimento e até evitá-los. Revista Psique Ciência & Vida, Edição 77.

FRIZZO, G. B. & PICCININI, C. A. (2007) Depressão Materna e a Interação Triádica Pai-Mãe-Bebê. Psicologia: Reflexão e Crítica, 20(3), 351-360.

 

Introdução ao tema da Prematuridade

jun 14

Um dos temas pelo qual mais me interesso é o nascimento de bebês prematuros e a relação mãe-bebê na UTI Neonatal. Por ter experiência nessa área, tenho conhecimento teórico-prático que acho interessante dividir. Esse é o primeiro post sobre o assunto! Para quem já passou por isso, é uma oportunidade de conhecer uma nova visão sobre o fato. Quem nunca passou, pode aproximar-se dessa realidade tão comum (e temida), mas pouco falada.

Image by © Corbis

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A gravidez é reconhecida por todos como um período de mudanças e transições. Além das mudanças corporais na mulher, a dinâmica familiar é também alterada nesse período. A gestação, desejada ou não, acaba por suscitar diversas questões na gestante que, além de filha, agora é mãe.

O nascimento de um bebê é um momento único para o casal, e que requer reestruturações e readaptações em diversos sentidos. Durante todo o período gestacional os pais fazem muitos planos para esse bebê, que já nasce com grande responsabilidade, devido os desejos parentais (FAVORATTO e GAGLIANI, 2008). Todas as gestantes sonham dar a luz a bebês bonitos e sadios. Já se sabe que o nascimento é acompanhado de um luto de filho idealizado, para que seja possível o estabelecimento de um vínculo com o filho real que se apresenta no momento do parto. Este luto pode ser natural e ocorrer sem problemas, mas há pais que passam por dificuldades nesse processo.

Segundo Maldonado (1985), em qualquer gravidez a realidade do feto in utero para a mãe não é a mesma realidade do bebê recém-nascido, e para algumas mulheres é difícil fazer essa transição. Considerando que isso ocorre em todas as puérperas, apresentando-se como uma fase difícil, é possível compreender o impacto ainda maior que um neonato que necessita ir para a UTI gera nas mães. Se todos os pais de bebês saudáveis devem abandonar o filho idealizado, repleto de desejos e ilusões, para poder interagir com o filho real que se apresenta, é compreensível o difícil processo sofrido por aqueles que têm um bebê prematuro, pequeno, frágil e internado. O caso de bebês prematuros que precisam ser internados na UTI Neonatal é um contexto peculiar em que pode-se observar algumas mudanças no contato e na relação entre a mãe e seu filho.

O bebê prematuro geralmente apresenta-se com características muito distintas do bebê idealizado, marcado pelos desejos da mãe. Além disso, não é apenas o bebê que nasceu antes do tempo certo, a mulher torna-se mãe também prematuramente. O tempo da gestação dentro da normalidade é fundamental para que algumas representações acerca do bebê ideal sejam progressivamente desfeitas para que o contato mãe-bebê real seja mais saudável.

Em breve, um novo texto sobre o tema irá ao ar! Aguardem!

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Fontes:

FAVORATTO, M. e GAGLIANI, M. Atuação do Psicólogo em Unidades Infantis. Em: Manual de Psicologia Clínica para Hospitais / Bellkiss Romano (org) – São Paulo : Casa do Psicólogo, 2008.

MALDONADO, M. T. P. Psicologia da gravidez. Petrópolis : Vozes, 1985.